<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-20195465</id><updated>2012-02-07T18:50:06.806-08:00</updated><category term='Contos'/><category term='Notícias'/><category term='Artigos'/><title type='text'>wander antunes</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://wanderantunes.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20195465/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wanderantunes.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Wander Antunes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>21</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20195465.post-1634216049296075113</id><published>2011-07-02T08:22:00.000-07:00</published><updated>2011-07-02T08:28:46.455-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigos'/><title type='text'>A incontinência informativa da Assembléia Legislativa de Mato Grosso</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;A Assembléia Legislativa de  Mato Grosso gasta um bom dinheiro com jornalistas e publicidade, foram mais de  17 milhões de reais só em 2010. Uma montanha de dinheiro, convenhamos. Parece  que nossos deputados têm sede de transparência, sofrem de uma espécie de  incontinência informativa crônica, como bem definiria Odorico Paraguaçu. Será?  Engraçado, não faz muito tempo lia sobre a dificuldade enfrentada pelo  jornalista Fábio Pannunzio para ter acesso ao lotacionograma com o nome dos  servidores da AL, seus cargos e salários. E olha que, pelo que entendi, tal  informação deve ser publicada no Diário Oficial, divulgada na Internet, deve ser  exposta com a mesma insistência com que os serviços de telemarketing tentam nos  vender o que não queremos comprar. Mesmo o montante do que gasta com imprensa e  publicidade a AL não parece assim tão empenhada em divulgar. Aparentemente os  dados somente foram fornecidos porque o Tribunal de Justiça obrigou os deputados  a apresentarem a relação dos gastos. Teria sido uma informação prestada meio que  na marra, meio a contra-gosto, pelo que entendi.&lt;br /&gt;
Tento não achar, assim de  saída, que a AL não tenha o que dizer, o que informar ao cidadão. E até  compreendo que se gaste algum nesse esforço de informar. Mas tanto dinheiro  assim? E para quê? Para nos manter realmente informados sobre o que acontece e o  serviço que nos prestam ou para comprar e silenciar aqueles que deveriam nos  manter bem informados? Segundo alguns, segundo muitos!, é para isso que esse  dinheiro serve.&lt;br /&gt;
Mas vamos imaginar que nossos representantes, mesmo os que  tenham as fichas mais sujas, mesmo os mais corruptos e contumazes compradores de  votos e sabe Deus do que mais, não gastem dinheiro da AL, nosso dinheiro!, para  silenciar a imprensa - e que nem os jornalistas e nem os donos de veículos  aceitem receber dinheiro para se manter em silêncio, para desinformar seu  público, que absurdo! - e tentemos acreditar que podem ter sido mais de 17  milhões inteligentemente e republicanamente bem investidos. Vamos tentar, vamos  tentar. Nesse caso, já que pairam dúvidas, penso que cabe a quem investiu dizer  de que maneira (onde nós já sabemos), com que propósito e quais os resultados  obtidos, para que possamos ter clareza do que foi feito e para dizer se achamos  justo que se gaste nosso dinheiro dessa forma. E acho que cabe a nós, filhos,  pais, professores, jornalistas, padeiros, quadrinhistas, escritores, músicos,  malabaristas, pipoqueiros, cristãos, ateus, éteros, gays, simpatizantes,  liberais, reacionários e quem mais quiser, opinar sobre o acerto de tais  investimentos. Por que não se faz uma audiência pública para se discutir os  gastos com publicidade, para se normatizar tais gastos? Que tipo de comunicação  os poderes devem produzir? É justo e desejável que se gaste tanto com  comunicação? Ou 17 milhões nem é tanto assim e vai que alguém defenda um  orçamento ainda maior? Essa seria uma bela discussão. O que a AL, o que os  governos têm a dizer ao cidadão, o que devem dizer ao cidadão? Estão nos dizendo  o que devem, até por obrigação de informar, nos dizer? Devem produzir peças lindas e superficiais, povoadas por  gente feliz e bem tratada pela vida, com um off aveludado dizendo que somos o  povo mais feliz do mundo ou devem produzir belas, honestas e criativas peças  informativas e educativas? E o que seriam belas, criativas e honestas peças  informativas e educativas produzidas com o dinheiro público?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20195465-1634216049296075113?l=wanderantunes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wanderantunes.blogspot.com/feeds/1634216049296075113/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20195465&amp;postID=1634216049296075113' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20195465/posts/default/1634216049296075113'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20195465/posts/default/1634216049296075113'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wanderantunes.blogspot.com/2011/07/incontinencia-informativa-da-assembleia.html' title='A incontinência informativa da Assembléia Legislativa de Mato Grosso'/><author><name>Wander Antunes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20195465.post-2495069651042798236</id><published>2011-05-08T05:07:00.001-07:00</published><updated>2011-06-28T08:34:15.083-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigos'/><title type='text'>É uma biblioteca. E quem poderá dizer que não é?</title><content type='html'>&lt;m:smallfrac m:val="off"&gt;    &lt;m:dispdef&gt;    &lt;m:lmargin m:val="0"&gt;    &lt;m:rmargin m:val="0"&gt;    &lt;m:defjc m:val="centerGroup"&gt;    &lt;m:wrapindent m:val="1440"&gt;    &lt;m:intlim m:val="subSup"&gt;    &lt;m:narylim m:val="undOvr"&gt;   &lt;/m:narylim&gt;&lt;/m:intlim&gt; &lt;/m:wrapindent&gt;  &lt;/m:defjc&gt;&lt;/m:rmargin&gt;&lt;/m:lmargin&gt;&lt;/m:dispdef&gt;&lt;/m:smallfrac&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="ES"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="ES"&gt;Quinta-feira. Três horas ou algo assim e se ficar mais umas duas horas no centro da cidade tenho como resolver de vez um assunto chato. É isso ou voltar amanhã. É hoje, tem que ser. Resolvo circular pelo centrão de Cuiabá, tem um sebo perto do calçadão, posso matar o tempo por lá. Não vai ser possível: o sebo fechou. Duas horas parecem uma eternidade quando não há nada para se fazer. Sim, tem a biblioteca municipal, logo ali no Clube Feminino. Biblioteca? Bem, de certo modo é preciso reconhecer que a Biblioteca Municipal Manoel Cavalcanti Proença é uma biblioteca, afinal os livros estão lá, dormitando em suas estantes, e também tem umas cadeiras e umas mesas. É uma biblioteca? É, é uma biblioteca, como dizer que não? Mas é uma boa biblioteca, atrativa? Não. É um espaço diminuto, muito feio, nem de longe atraente. Suspeito que não é para ser atrativo mesmo, até porque seria bem complicado se umas dez pessoas, ou quem sabe um pouco mais, cismassem de dar uma passadinha por lá ao mesmo tempo. Eles lotariam, superlotariam talvez, o espaço. A biblioteca existe, muito provavelmente, porque há uma lei determinando sua existência, não existe como projeto de civilização, como espaço formador de leitores, de estudos ou de convivência – suspeito que nossos gestores não dão a mínima para ela. Claro, dirão que estou enganado, que ela cumpre bem o seu papel, como também podem dizer que o Pronto-Socorro, que foi reformado ainda outro dia, cumpre seu papel ou mesmo que a coleta de lixo funciona direitinho, mas a verdade é que a coleta de lixo anda um lixo, e não é só ela. &lt;br /&gt;
Acho que os aparelhos públicos não funcionam mal em certas cidades por acaso, tem que ser assim para que o nível de exigência das pessoas mantenha-se baixo. Se o cara internado num pronto socorro tem que rebolar para não morrer afogado num dia de chuva, esse cara não vai chiar porque demorou a ser atendido ou porque tem que ser medicado pelos corredores. O importante é sobreviver à enchente, entende? Só por isso o cara já fica&amp;nbsp; contente da vida, se anima e acha que com um pouco mais de sorte não contrai uma infecção hospitalar, talvez até saia vivo lá de dentro.&lt;br /&gt;
Gestores ruins, e nós temos dúzias deles espalhados pelo país, temem serviços eficientes. Serviços eficientes costumam resultar em cidadãos cada vez mais exigentes e críticos. É um caminho sem volta. O caos, onde for possível instalá-lo, é fundamental. Quem se vê obrigado a lutar constantemente pelo mínimo não tem como elevar seu nível de exigência. Há algum tempo estive em Várzea Grande acompanhando minha mulher, ela é estudante de arquitetura, e por conta de um trabalho teve que fotografar o Fiotão. O ginásio é um grande condomínio de pombos, cada um deles dotado de um cuzinho nervoso de onde saem toneladas de cocô o tempo todo. Eu olho praquele negócio, comento o absurdo daquilo e então um guri de uns 15 anos que ouvia a convsersa diz que ‘não tem problema, tio, eles limpam aqui quando tem festa’. Quer dizer, o garoto está lá, junto com os amigos, jogando bola no meio da merda e aceita aquilo, como se uma limpeza em dia de evento resolvesse a coisa toda. Não é genial? O gestor mantém as pessoas no meio da merda e com o tempo elas aceitam a idéia de que se limparem a caca em dia de festa já está de bom tamanho. Nem vilão de filme B seria capaz de tamanha maldade.&lt;br /&gt;
De volta à Manoel Cavalcante Proença (que deve estar se revirando em seu túmulo): diante de uma estrutura tão raquítica como esperar que haja um público ávido por ocupar aquele espaço? Imaginava passar algumas horas por lá, lendo jornais, revistas e quem sabe descobrindo algum livro bacana no acervo. Sem chance, não há jornais ou revistas e os livros, pelo que soube passaram longos 5 anos encaixotados, ainda não estão totalmente organizados. Um lugar tristíssimo essa biblioteca, uma espécie de negação da idéia de biblioteca. Engraçado é que quando estou de saída ouço de alguém que os cuiabanos não se interessam por livros, por isso o espaço andar tão vazio àquela hora. Sim, claro: a culpa é do povo. A culpa é sempre do povo!&lt;br /&gt;
Outro dia um médico fez um tour pelo Pronto-Socorro de Cuiabá e mostrou como anda a coisa por lá, uma realidade bem diferente daquela que a propaganda oficial tenta nos vender de tempos em tempos. Bem que a moda podia pegar. Quem se interessa por literatura, pelo papel que ela pode desempenhar na vida das pessoas e tiver uma câmera (de celular serve) podia passar pela biblioteca do Clube Feminino de vez em quando (pelas outras também), registrar o que viu e botar nos youtubes da vida. Seria bacana escolas levarem seu alunos para passar uma tarde ou uma manhã naquele glorioso templo do saber, lotar suas dependências e avaliar a qualidade do serviço. Estudantes de letras podiam circular por lá e dividir suas impressões com a gente. A realidade das escolas, museus, bibliotecas, hospitais e outros aparelhos públicos espalhados por esse país não será divulgada pela imprensa oficial e nem por uma imprensa cada vez mais dependente do dinheiro público. Cabe a nós, escrevendo artigos ou com uma câmera na mão e a indignação na cabeça denunciar o verdadeiro estado das coisas. Em justíssima causa própria.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20195465-2495069651042798236?l=wanderantunes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wanderantunes.blogspot.com/feeds/2495069651042798236/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20195465&amp;postID=2495069651042798236' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20195465/posts/default/2495069651042798236'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20195465/posts/default/2495069651042798236'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wanderantunes.blogspot.com/2011/05/e-uma-biblioteca-e-quem-podera-dizer.html' title='É uma biblioteca. E quem poderá dizer que não é?'/><author><name>Wander Antunes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20195465.post-4389149575408541456</id><published>2011-05-02T14:30:00.001-07:00</published><updated>2011-05-02T14:35:34.550-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigos'/><title type='text'>Contrato de representação</title><content type='html'>&lt;m:smallfrac m:val="off"&gt;    &lt;m:dispdef&gt;    &lt;m:lmargin m:val="0"&gt;    &lt;m:rmargin m:val="0"&gt;    &lt;m:defjc m:val="centerGroup"&gt;    &lt;m:wrapindent m:val="1440"&gt;    &lt;m:intlim m:val="subSup"&gt;    &lt;m:narylim m:val="undOvr"&gt;   &lt;/m:narylim&gt;&lt;/m:intlim&gt; &lt;/m:wrapindent&gt;  &lt;/m:defjc&gt;&lt;/m:rmargin&gt;&lt;/m:lmargin&gt;&lt;/m:dispdef&gt;&lt;/m:smallfrac&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class="MsoNormal"&gt;Todo mundo quer uma reforma política, na esperança de que com ela o show de horrores em que se transformou a política brasileira chegue ao seu final. Não creio muito que isso vá ocorrer – em algum nível sim, mas não acredito que ela terá o impacto que desejamos e sonhamos. Com reforma ou sem reforma nada impedirá que os eleitos continuem criando leis obscenas, como essas que asseguram suas aposentadorias após exercício de certos mandatos (mesmo quando exercidos por poucos dias). Creio que tão importante quanto a reforma política (e ela é importante e sou um dos que sonham com ela e esperam por ela) é a elaboração de um Contrato de Representação. Contrato mesmo, igualzinho a esse que patrões e empregados assinam ao acordar um vínculo empregatício. O que temos hoje são apenas essas promessas de determinados comportamentos que os candidatos nos fazem e poucos, pouquíssimos!, cumprem, ainda que parcialmente. Não vou mudar de partido, eles nos dizem, não vou deixar o mandato pela metade, eles mentem e por aí vai. Dizem um monte de coisas, assumem montanhas de compromissos e no final das contas se empenham em descumprir tudo o que foi acordado com o eleitor. É provável que parte dessas quebras de contrato cheguem ao fim com uma reforma política, mas ainda é pouco. Sempre será possível que na calada de uma noite qualquer de final de ano eles votem uma dessas detestáveis aposentadorias especiais, para ficarmos só em um exemplo. Daí a necessidade de junto com a reforma existir o tal Contrato de Representação. Se em um contrato, ao qual todo representante eleito estiver submetido, existir uma cláusula determinando que a única remuneração a qual ele terá direito será o seu salário (digamos que de X mínimos) e que a esse salário não será incorporado nenhuma gratificação ou aposentadoria, nem para si, seus filhos, para suas viúvas ou sabe-se lá para quem mais, aí será razoável imaginar que se começa a estancar uma parte da sangria que esses senhores promovem no dinheiro público. Mais? Bem, se nós empregamos então devemos nos comprometer a oferecer uma estrutura mínima, porém razoável, para o exercício de uma determinada atividade. Mas somos nós quem ditamos o tamanho da estrutura já que somos nós quem pagamos por ela. Só que quando não há um contrato, quando o contratado é quem determina o tamanho da estrutura, o circo está armado. Será que vereadores, deputados, senadores, presidentes e outros eleitos precisam mesmo do batalhão de servidores que colocam a seu serviço? O camarada é contratado para nos representar, no congresso nacional por exemplo, e do dia para a noite vira um grande empregador, com sei lá quantos funcionários em seu gabinete. Precisa de tanta gente? E mais: tem mesmo que ser uma equipe escolhida por ele? E se o contratado chegar ao seu gabinete e já encontrar uma equipe esperando por ele? Tudo gente preparada, que prestou concurso público, e está ali para se dedicar exclusivamente ao gabinete que ele irá presidir por 4 anos? Ah, mas um deputado ou prefeito ou outro eleito qualquer precisa ter gente de sua confiança no gabinete, dirão alguns. Então as leis que regem o funcionalismo público não são capazes de garantir um grau razoável de confiabilidade? E se não forem, se algum servidor estiver abaixo da expectativa ou pouco comprometido com sua função, estou seguro que o cara certo para demonstrar esse pouco preparo ou comprometimento é o cidadão escudado pelo mandato representativo. Ele, mais do que eu ou você, poderá chamar às favas o mau servidor. Chamar, demostrar e muito provavelmente dar início ao processo que resultará numa demissão, quando for o caso. Se nós contratamos a equipe é nossa! E se o pretendente a determinado cargo eletivo não concorda com o contrato proposto então já está fora, ele que vá cuidar de sua vida. Impossível funcionar desse jeito? Parece que os suecos (sempre eles) já administram desse modo e a coisa tem funcionado muito bem por aqueles lados. Pelo que soube a &lt;i&gt;entourage&lt;/i&gt; de um deputado por lá se resume a umas quatro pessoas, os demais servidores são todos do congresso ou dos partidos. Se funciona lá pode funcionar por aqui. Aliás aqui, do jeito que está, tem funcionado bem?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Não vou me estender mais, até porque não entendo nada de contratos, mas estou seguro que um Contrato de Representação exequível, bem redigido, honesto e maduro seria capaz de contribuir tanto quanto uma reforma política pra dar jeito na bagunça que é a representação eletiva brasileira. Tanto quanto ou quem sabe mais ainda! Alguém aí entende de contratos?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20195465-4389149575408541456?l=wanderantunes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wanderantunes.blogspot.com/feeds/4389149575408541456/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20195465&amp;postID=4389149575408541456' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20195465/posts/default/4389149575408541456'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20195465/posts/default/4389149575408541456'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wanderantunes.blogspot.com/2011/05/contrato-de-representacao.html' title='Contrato de representação'/><author><name>Wander Antunes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20195465.post-2744213267898755159</id><published>2011-04-29T14:44:00.001-07:00</published><updated>2011-04-29T14:50:59.992-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Matador de Gavião</title><content type='html'>&lt;m:smallfrac m:val="off"&gt;    &lt;m:dispdef&gt;    &lt;m:lmargin m:val="0"&gt;    &lt;m:rmargin m:val="0"&gt;    &lt;m:defjc m:val="centerGroup"&gt;    &lt;m:wrapindent m:val="1440"&gt;    &lt;m:intlim m:val="subSup"&gt;    &lt;m:narylim m:val="undOvr"&gt;   &lt;/m:narylim&gt;&lt;/m:intlim&gt; &lt;/m:wrapindent&gt;  &lt;/m:defjc&gt;&lt;/m:rmargin&gt;&lt;/m:lmargin&gt;&lt;/m:dispdef&gt;&lt;/m:smallfrac&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;Gavião dá muito prejuízo. O camarada que cria galinha tem prejuízo demais por causa desse bicho. A galinha dele está lá, coitada, ciscando, procurando minhoca, e quando menos se espera o gavião vem lá do alto e crau! Sem chance de a galinha se safar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;Gavião não é muito grande não, do tamanho de um galo. Quando muito um pouco maior, muito não, pouca coisa, mas é bicho forte, esperto - agarra galo, galinha e até gato, isso não é raro, acontece demais! Gato é das presas que mais dão trabalho, o bicho fica esperneando, arranhando o gavião e aí então, quando já subiu um pouco, uns seis metros ou um pouco mais, o gavião solta o gato que não sabe voar e se arrebenta todo, se espatifa lá embaixo – morre ou fica imprestável, indefeso, todo quebrado -, aí então o gavião volta, pega o gato e leva o gato para comer. E come tudo? Não, não come não. Só as partes que gosta e aí deixa pra lá. Depois dá uma comidinha na dona gavião, que ele é um bicho safado, fodedor, e vai bater asas por aí. Vida boa a do gavião, melhor não há. Depois, quando bate fome, ele volta pra comer o que sobrou do gato? Volta não, deixa pra lá. Vai é atrás de uma galinha, que galinha é ainda melhor que gato e tem muita galinha por aí.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;Digamos que ele tenha costume de atacar numa granja qualquer, então ele vai deixar de pegar uma galinha pra comer pedaço de gato que matou há não sei quantas horas, bicho frio já, cheio de formiga a essa altura? Nem a pau! O gavião vai é atrás de uma galinha. E de outra e de outra. Ele gosta de caçar, entende? O bicho é predador. E o dono da granja? Esse fica no prejuízo, coitado. Daliberto, conhecido meu, já matou muito gavião. Cada gavião morto o dono da granja pagava com uma galinha. Daliberto, que era muito pobre, passou foi bem por esse tempo. Gostava muito do Daliberto. Ele já morreu, coitado, que Deus o tenha. Um dia desses falo dele pra você, te conto umas histórias dele, mas agora quero falar e de gavião.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;Comerciante também tem muito problema com gavião. E também paga para quem matar gavião. Porque o negócio é que tem que dar jeito no gavião, entende? Pensa comigo: o gavião vai e assalta a loja do sujeito uma vez. O comerciante denuncia, procura a polícia e diz que gavião atacou o negócio dele, denuncia o gavião e coisa e tal. E a polícia nada. E o gavião ataca de novo. E a polícia nada. E o gavião ataca de novo, mete revólver na cara do comerciante, bate no comerciante. Tem uma hora que o sujeito está trabalhando pra encher a barriga do gavião. Aí não dá mais, não dá pra continuar daquele jeito. Aí o comerciante não chama a polícia não, que polícia não resolve, não é mesmo? É nessa hora que o comerciante bate na minha porta. E quando bate na minha porta o comerciante já tentou de tudo e sabe que eu não vou só pedir para o gavião ir roubar noutra freguesia, o comerciante sabe que meu negócio é matar gavião. Então não tem que ficar sem jeito, não tem que ficar se explicando, não tem que falar que não queria chegar naquele ponto e nem mais isso e nem mais aquilo. Não precisa e eu não gosto desse tipo de conversa. Tem é que pagar o que eu cobro para matar o gavião e deixar o resto comigo. É para matar o gavião? Então paga que eu mato o gavião. E pronto e não se fala mais nisso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;Gavião não quer morrer. Todo mundo morre, ninguém quer morrer. Gavião é que nem todo mundo, também não quer morrer. E chora, e diz que tem mulher e filhos para criar, isso quando é gavião mais velho, e diz que tem mãe pra sustentar, quando é gavião mais novo. Tem mais gavião mais novo que gavião mais velho – que gavião costuma morrer cedo. E na hora de morrer o gavião se caga todo e pede pelo amor de Deus e isso e mais aquilo e eu não dou conversa e passo fogo no gavião. E aí dou sumiço no gavião. E não adianta nem mãe, nem mulher, nem filho e nem sei lá quem mais ficar procurando o gavião, que não vai achar. E fica a parentalha de gavião enchendo o saco da polícia, querendo que a polícia dê jeito de encontrar o gavião. E polícia lá quer saber de gavião? Polícia dá graças a Deus quando alguém passa fogo em gavião. Até polícia mesmo costuma dar jeito no dito cujo. Se lojista pedir para prender o gavião a polícia não faz nada, mas se pagar para matar o gavião, aí a guarnição faz fila para ganhar o dinheiro do lojista – que policial é tudo matador de gavião. Minha sorte é que lojista não gosta de negociar esse tipo de serviço com policial, senão a concorrência ia acabar com meu negócio. Ia acabar? Acabar talvez não, que é você matar um para nascerem logo outros dez gaviões. Parece que ninguém mais quer carpir quintal, duvido que se o camarada botar uma enxada nas costas e descer uma rua como aquela ali e bater na porta das casas e falar que capina o quintal de um e outro, duvido que ele não consiga algum dinheiro. Mas neguinho não quer ganhar o pão carpindo quintal debaixo desse solão não senhor, neguinho já nasce querendo ser gavião. Neguinho acha que se virar gavião vai ter vida fácil. E não é que não vai, não é que não vai – quem disse que não vai? Se aprender depressa pode até se dar bem sim, que neguinho pode ganhar mais dinheiro virando gavião que carpindo quintal. É o tal negócio: estudou? Não estudou? Então vai ter que ir pra enxada ou virar gavião. Enxada não dá camisa pra ninguém, então o neguinho vira gavião. E vira gavião e ataca o negócio do lojista e o lojista reclama pra polícia que não faz nada e o gavião se anima e ataca de novo e o lojista vai atrás da polícia que nem quer escutar o que o lojista tem para dizer e aí o gavião ataca de novo e enfia a mão na cara do lojista e aí o lojista me chama. Aí eu mato o gavião e fim de papo. E fim da história.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20195465-2744213267898755159?l=wanderantunes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wanderantunes.blogspot.com/feeds/2744213267898755159/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20195465&amp;postID=2744213267898755159' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20195465/posts/default/2744213267898755159'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20195465/posts/default/2744213267898755159'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wanderantunes.blogspot.com/2011/04/matador-de-gaviao.html' title='Matador de Gavião'/><author><name>Wander Antunes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20195465.post-7279003655620393557</id><published>2011-04-20T13:36:00.001-07:00</published><updated>2011-04-20T13:45:58.633-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>O dia em Que Copacabana invadiu Madureira</title><content type='html'>&lt;h3 class="post-title entry-title"&gt;&lt;a href="http://chanchadanoir.blogspot.com/2009/08/o-dia-em-que-copacabana-invadiu.html"&gt;&lt;/a&gt; &lt;/h3&gt;&lt;div class="post-header"&gt;&lt;/div&gt;Um sujeito aí, um tipo que apareceu em Madureira outro dia, saiu com uma  pequena do harém do Bonitão, a Eunice. Isso transformava nosso Porfírio  Rubirosa num corno? Era sobre isso que estávamos discutindo aquela  noite, no boteco do Mossoró.&lt;br /&gt;
— Cornudo, claro. Batata — disse alguém.&lt;br /&gt;
— Mas o que é isso? E desde quando amante é corno? — retrucou um outro.&lt;br /&gt;
—  Concordo. Chifre é coisa de marido, namorado ou amasiado – emendou  qualquer um. — Se você não é nem uma coisa nem outra não tem como ser  corno.&lt;br /&gt;
Até o Mossoró deu palpite:&lt;br /&gt;
— Pois eu diria que o amante é sempre um corno. No mínimo do marido, do titular.&lt;br /&gt;
Foi quando eu, voltando do banheiro, perguntei ao Paranhos, assim que me sentei à nossa mesa:&lt;br /&gt;
— E aí? É corno ou não é corno?&lt;br /&gt;
E ele, misterioso:&lt;br /&gt;
— A questão não é essa.&lt;br /&gt;
Todos  olharam pro Paranhos, esperando que ele fosse mais claro, completasse o  raciocínio, mas o policial permaneceu em silêncio, pensativo.&lt;br /&gt;
— E qual é a questão, carambolas? – provoquei.&lt;br /&gt;
E ele, assumindo ar de detetive de filme inglês:&lt;br /&gt;
— A questão é que o Bonitão foi alvo de um ataque inimigo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A VÍTIMA&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mais  tarde, ainda naquela noite, no conjugado do Bonitão, concluí que o  Paranhos estava certo, coberto de razão. Alguém havia declarado guerra  ao malandro e seu orgulho tinha sido a primeira vítima do conflito.&lt;br /&gt;
—  Vivia aqui, ó!! — dizia, arrasado, olhando pra palma da mão. — Era eu  estalar o dedo que ela deixava o marido chupando um Chicabon pra vir  atrás de mim.&lt;br /&gt;
E dava pra ver que era uma questão de orgulho mesmo,  que não tinha nada a ver com o fato da Eunice dar presentinhos caros pra  ele, de pagar o aluguel do seu conjugado.&lt;br /&gt;
Descontrolado, se levantou repentinamente e caminhou até a porta, querendo sair – e não era em missão de paz. Eu não deixei.&lt;br /&gt;
— Eu mato esse cara! — ameaça. — Eu mato esse cara!!&lt;br /&gt;
— Ei, calma, muita calma nessa hora.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ÚLTIMO A SABER&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O inimigo se chamava Valadão. Pintoso, bom de papo e desocupado,  avançava sem pena nem dó pelo território do Bonitão, conquistando  posições estratégicas. Aliás, o avanço inimigo era o assunto do dia  seguinte, outra vez no boteco do Mossoró.&lt;br /&gt;
— A Judite? Essa não é aquela boazuda, a mulher do farmacêutico? — alguém quis saber.&lt;br /&gt;
—  Essa mesmo — informou outro alguém. — O tal Valadão está papando. Todo  mundo está sabendo, menos o marido. O marido e o Bonitão, coitado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
GENERAL PARANHOS&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bonitão,  que só não foi o último a saber porque essa honra pertence ao marido,  queria matar, queria dar tiro. Quase teve um piripaque. Foi salvo por  mim e pelo Paranhos, que, voluntário na tomada de Monte Castelo, tinha  idéias claras sobre como conduzir uma guerra:&lt;br /&gt;
— Não adianta dar chilique. O negócio é impedir o avanço inimigo. Diz pra mim: o que você sabe sobre esse Valadão?&lt;br /&gt;
—  Como assim o que eu sei sobre ele? Que o filho da mãe está deitando e  rolando no galinheiro do Zezinho aqui, é isso o que eu sei sobre ele.&lt;br /&gt;
—  Você e toda a torcida do Flamengo. Mas isso não é importante...  Importante é conhecer o inimigo, é saber quem ele é, de onde ele vem.&lt;br /&gt;
— E de onde ele vem, carambolas? – quis saber o Bonitão.&lt;br /&gt;
E o Paranhos, transpirando vaidade profissional:&lt;br /&gt;
—  De Copacabana. Vem de Copacabana, andei investigando. Um filho da mãe  igual a você, desocupado que nem você. Só que com dinheiro. A mãe é  viúva de um oficial da marinha. O negócio dele é gastar a aposentadoria  da velha.&lt;br /&gt;
— E agora que a gente sabe quem ele é, faz o quê? – perguntei ao ‘general’ Paranhos.&lt;br /&gt;
— É, o que a gente faz? – Bonitão reforçou. E meio que perguntou, meio que sugeriu: — Matamos ele?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
UM BOM LUGAR PARA GUERREAR: COPACABANA&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não matamos ninguém. Fomos passear em Copacabana.&lt;br /&gt;
—  Traremos a guerra pra casa do inimigo, que é onde o sangue deve jorrar —  discursou Paranhos, enquanto eu estacionava onde ele ordenou e de onde  dava pra ver uma pequena sensacional vindo da praia.&lt;br /&gt;
— Mas que  coincidência boa – comemorou Paranhos, apontando justo pra pequena que  eu estava fotografando. — Olha lá... A noiva do Valadão. Ela passa o  tempo todo na praia...&lt;br /&gt;
— Noiva do Valadão? — indagou Bonitão, interessado. — Papagaio.&lt;br /&gt;
O plano do Paranhos era, por incrível que pareça, dos mais geniais:&lt;br /&gt;
— Eu, se fosse você, atacava com tudo, não deixava sobreviventes.&lt;br /&gt;
E eu apoiei:&lt;br /&gt;
— Isso! Às favas com a convenção de Genebra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O DESEMBARQUE&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quem  visse, ao longo dos dias seguintes, Bonitão se aproximando da noiva do  Valadão, todo simpático e generoso, com um Chicabon sempre à mão, não  poderia imaginar que estava presenciando uma operação de guerra muito  mais sangrenta que o desembarque aliado à costa da Normandia. E quando  ele atacou pra valer, fez gato e sapato atrás das linhas inimigas.&lt;br /&gt;
—  Ai... Assim você me mata. Assim você acaba comigo — gemia a noiva do  Valadão, enquanto Bonitão despejava todas as suas bombas por entre as  pernas da pobrezinha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
DECLARAÇÃO DE GUERRA&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois foi só esperar o inimigo vir até nosso QG, no bar do  Mossoró, assinar a rendição. Ele veio mesmo, mas nem pensava em  rendição. Muito pelo contrário. E bota pelo contrário nisso!!&lt;br /&gt;
— Qualquer uma, mas qualquer uma mesmo. No duro, ouviu? Eu pego qualquer uma... Você me diz qual é que eu pego...&lt;br /&gt;
Resumindo:  Valadão disse que comeria toda e qualquer amante do Bonitão. Que se não  conseguisse não botava mais os pés em Madureira. Mas pra cada uma que  ele pegasse Bonitão teria que conquistar uma posição em Copacabana,  digamos assim. E ao primeiro fracasso, além de depor as armas, o  derrotado teria que abrir suas fronteiras pro inimigo.&lt;br /&gt;
— Sem impor condições! — desafiou. — O vencedor pode pintar o caneco.&lt;br /&gt;
Quem foi que disse que o Bonitão tinha medo de ir pra guerra?&lt;br /&gt;
— Eu topo — disse, apertando a mão do inimigo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
TUDO NOVO NO FRONT&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pelos  dias seguintes a batalha foi dura, encarniçada, posições iam sendo  conquistadas de lado a lado e não havia a menor esperança de paz. Todo  dia havia algo de novo no front. Mas Bonitão, apesar dos sucessos no  campo de batalha, parecia ligeiramente deprimido.&lt;br /&gt;
— Está reclamando do quê? — perguntei. — Aposto e ganho que nunca comeste tanto.&lt;br /&gt;
E ele, sério:&lt;br /&gt;
— É. Mas jurava que o tal Valadão não ia papar tanto e tão fácil no galinheiro do Zezinho aqui.&lt;br /&gt;
— Ofendido por suas amantes traírem seus maridos com outro cara além de você? Falando no outro...&lt;br /&gt;
Ele  mesmo, Valadão, o inimigo, adentrava o bar do Mossoró, onde estávamos  Bonitão e eu. Cínico, veio direto a nossa mesa e entregou um ursinho de  pelúcia pro Bonitão.&lt;br /&gt;
— Conhece? — provocou.&lt;br /&gt;
Fiz ao Bonitão uma pergunta cuja resposta já conhecia:&lt;br /&gt;
— Comeu?&lt;br /&gt;
E ele:&lt;br /&gt;
— Comeu! — e me passando o ursinho de pelúcia — Eu que dei de presente pra Odete.&lt;br /&gt;
— Foi moleza — zombou Valadão. — Mas sei de uma lá em Copacabana que você não papa. Sabe como é, mulher bem comida...&lt;br /&gt;
— O nome. Dá o nome da pequena e vamos ver.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
UM GENTLEMAN&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A posição a ser conquistada era uma tal Magda, pequena que vivia  no prédio do Valadão. Ao contrário do que fora alardeado pelo inimigo,  um alvo fácil. Não demorou muito, Bonitão já tinha comido e estava de  saída do apartamento dela.&lt;br /&gt;
— Quer mesmo? No duro? — Magda gemeu, entregando uma fotografia pro garanhão. — Pra quê?&lt;br /&gt;
E ele:&lt;br /&gt;
— Pra te ter sempre perto do meu coração.&lt;br /&gt;
Daí  a pouco, após se desvencilhar da pequena, está esperando o elevador.  Quando a porta se abre, uma mulher de uns cinqüenta anos, muito bonita,  sai lá de dentro, carregando muitas sacolas. Deixa uma delas cair.&lt;br /&gt;
Ele:&lt;br /&gt;
— Opa. Deixa que eu pego.&lt;br /&gt;
Ela:&lt;br /&gt;
— Muito obrigada, não precisa.&lt;br /&gt;
Ele:&lt;br /&gt;
— Que isso... É um prazer. Posso levar até seu apartamento?&lt;br /&gt;
Ela, encantada:&lt;br /&gt;
— Ah, faz favor? É o 608, ali no fim do corredor.&lt;br /&gt;
No minuto seguinte estão diante do apartamento dela.&lt;br /&gt;
— Quanta gentileza... Não tem mais disso hoje em dia não. Meu falecido, que era da marinha, também era assim sabe? Um gentleman.&lt;br /&gt;
Ela abre a porta do apartamento e eles entram. E o Bonitão, que ficou um tempão lá dentro, foi um gentleman com ela.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RENDIÇÃO&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No dia seguinte, quando Bonitão jogou a foto da Magda sobre a mesa, Valadão tentou minimizar o feito do adversário:&lt;br /&gt;
— Também essazinha aí vai com qualquer um... Alvo fácil!&lt;br /&gt;
—  Bota fácil nisso — concordou Bonitão. — Tava carente, coitadinha — e  virando-se pra mim e pro Paranhos — Sabem como é, mulher mal comida se  entrega fácil. Que nem francês quando alemão cisma de falar grosso.&lt;br /&gt;
Valadão se irritou um pouco:&lt;br /&gt;
— E agora, quem eu vou ter que papar? Uma bem difícil, faz favor.&lt;br /&gt;
E Bonitão, muito calmo, como se não estivesse no meio de uma guerra:&lt;br /&gt;
— Uma dona lá de Copacabana mesmo... Você nem vai ter que sair do teu prédio.&lt;br /&gt;
— No meu prédio?&lt;br /&gt;
— É. Mas essa eu acho que você ainda não papou.&lt;br /&gt;
E atira sobre a mesa uma foto onde a mãe do Valadão aparece em companhia do falecido marido.&lt;br /&gt;
—  A foto é antiga, mas ela ainda dá um caldo — e, como na foto o pai de  Valadão aparecia com sua farda de oficial da marinha, complementa: — Vai  tranqüilo que o milico já empacotou!&lt;br /&gt;
Valadão quase infarta ao reconhecer o casal da foto.&lt;br /&gt;
— Mã... Mamãe...&lt;br /&gt;
Parte pra cima de Bonitão, agarra o inimigo pela camisa.&lt;br /&gt;
— Você nunca mais... Mas você nunca mais mesmo...&lt;br /&gt;
Paranhos  precisa segurar Valadão pra ele soltar Bonitão. Apanho a foto da mãe de  Valadão, esquecida sobre a mesa, e devoro a coroa com os olhos. Ela era  muito boa mesmo.&lt;br /&gt;
E o Paranhos, empurrando Valadão:&lt;br /&gt;
— Fica quieto aí, elemento. Querendo levar um catiripapo, está?&lt;br /&gt;
E o filho daquela mãe sensacional grita pro Bonitão, com a promessa de morte no olhar:&lt;br /&gt;
— Nunca mais, ouviu?&lt;br /&gt;
— Nunca mais o quê? — devolve o garanhão. — Eu papar a tua mãe? Olha, se você parar de ciscar no meu galinheiro...&lt;br /&gt;
Valadão  entendeu o recado e capitulou. Entregou a guerra sem negociar a  rendição. Levantou-se pra ir embora, bruscamente. E já estava quase na  porta do boteco quando voltou pra recuperar a foto dos pais. Precisou  arrancá-la da minha mão. Daí foi embora. E nunca mais botou os pés em  Madureira.&lt;br /&gt;
E o Bonitão, como se não tivesse vencido a terceira guerra mundial, gritou pro Mossoró:&lt;br /&gt;
— Vê uma aqui, ó. Uma bem gelada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20195465-7279003655620393557?l=wanderantunes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wanderantunes.blogspot.com/feeds/7279003655620393557/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20195465&amp;postID=7279003655620393557' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20195465/posts/default/7279003655620393557'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20195465/posts/default/7279003655620393557'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wanderantunes.blogspot.com/2011/04/o-dia-em-que-copacabana-invadiu.html' title='O dia em Que Copacabana invadiu Madureira'/><author><name>Wander Antunes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20195465.post-6814741112159120971</id><published>2011-04-12T15:41:00.001-07:00</published><updated>2011-04-13T02:26:23.107-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigos'/><title type='text'>A velha e boa pornografia</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style="font-family: inherit;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Não deve ser nada fácil ser um ator ou  uma atriz pornô, não acredito que a carreira esteja entre as primeiras escolhas  profissionais de alguém. Conheço um bocado de gente sonhando com medicina, com  veterinária, com direito, querendo ser modelo e manequim. Sei lá, pode ser que  uma parcela muito pequena da população sonhe com essa carreira, mas não sei de  ninguém, não conheço ninguém sonhando com um futuro na indústria da pornografia.  Correndo o risco de ser moralista, acho que são mais as derrotas existenciais e  econômicas que empurram as pessoas para o ofício. &lt;i&gt;A outra metade&lt;/i&gt;, um filme que eu não vi,  é um pornô. Ao menos na opinião do senador paranaense Roberto Requião é um filme  pornô. A quem diga que é um filme erótico, mas para o senador, que deve ter  visto a obra e deve saber qual a diferença entre erotismo e pornografia é um  filme pornô. E para ele ator pornô não pode ocupar cargo no serviço público.  Pois não é que Valter Pagliosa, ator de A outra metade, foi nomeado para uma  diretoria regional do Instituto Ambiental do Paraná, o IAP? Bom, como lugar de  ator pornô parece ser fazendo filme pornô, Requião começou uma cruzada (!)  contra o moço e Pagliosa caiu. Se é que tem algo de pornográfico nessa história  acho que a suposta profissão de Pagliosa é o de menos. Diria mesmo que não tem a  menor importância. Foda-se (!) que ele tenha feito ou um ou tenha feito cem  filmes pornográficos, se é que fez. E daí? Confesso, acho muito bom ouvir que  alguém é ex-ator pornô ou que é ex-atriz pornô. Sei que é uma fala conservadora,  mas digo isso por achar que pouca gente é assim tão feliz atuando nessa  indústria. E ficaria contente da vida vendo um batalhão de ex-astros do pornô  atuando em profissões menos estressantes e perigosas que a de ator de filme de  sacanagem. Sim, até mesmo no serviço público, caso sejam competentes para  conquistar espaço em suas fileiras. O que torna uma pessoa indigna para o  serviço público não deveria ser o fato de ter atuado num desses filmes (sabe-se  lá por conta de qual cilada a vida andou lhe armando). Acho que servidor público  não pode ser, nem ter sido ou ter feito um bocado de coisa, mas estou me lixando  para o fato de ele já ter sido um ator pornô. E daí? Se a profissão de ator  pornô for um negócio tão terrível assim, como parece ser a opinião do senador,  porque não desejar e até contribuir para que a pessoa tenha a oportunidade de  exercer uma outra atividade profissional? Ao que tudo indica essa segunda  carreira, se houver, não vai ser no serviço público, já que Pagliosa foi  exonerado do cargo de dirigente no IAP. Aliás, justamente aí está o aspecto que  muitos certamente hão de considerar verdadeiramente pornográfico na  história:&amp;nbsp; Pagliose não chegou à direção  do IAP após prestar concurso público (nem mesmo tem formação ambiental), ocupou  o cargo graças a velha, boa e quase sempre pornográfica indicação política. Não  foi o único, parece que todos os chefes regionais da autarquia, acho que eles  são 20 ao todo, foram indicados pelos partidos políticos que apoiaram o  governador Beto Richa, do PSDB. Bem pornográfico dirão alguns, ou muitos, ou  centenas de milhares, quem sabe até milhões!, mas nunca jamais os indicados ou  aqueles que os indicaram. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20195465-6814741112159120971?l=wanderantunes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wanderantunes.blogspot.com/feeds/6814741112159120971/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20195465&amp;postID=6814741112159120971' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20195465/posts/default/6814741112159120971'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20195465/posts/default/6814741112159120971'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wanderantunes.blogspot.com/2011/04/velha-e-boa-pornografia.html' title='A velha e boa pornografia'/><author><name>Wander Antunes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20195465.post-6227419795091655345</id><published>2011-04-11T10:30:00.001-07:00</published><updated>2011-04-12T15:50:01.975-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Defunto é o chato que não vai embora</title><content type='html'>&lt;m:smallfrac m:val="off"&gt;    &lt;m:dispdef&gt;    &lt;m:lmargin m:val="0"&gt;    &lt;m:rmargin m:val="0"&gt;    &lt;m:defjc m:val="centerGroup"&gt;    &lt;m:wrapindent m:val="1440"&gt;    &lt;m:intlim m:val="subSup"&gt;    &lt;m:narylim m:val="undOvr"&gt;   &lt;/m:narylim&gt;&lt;/m:intlim&gt; &lt;/m:wrapindent&gt;  &lt;/m:defjc&gt;&lt;/m:rmargin&gt;&lt;/m:lmargin&gt;&lt;/m:dispdef&gt;&lt;/m:smallfrac&gt;&lt;br /&gt;
&lt;m:smallfrac m:val="off"&gt;    &lt;m:dispdef&gt;    &lt;m:lmargin m:val="0"&gt;    &lt;m:rmargin m:val="0"&gt;    &lt;m:defjc m:val="centerGroup"&gt;    &lt;m:wrapindent m:val="1440"&gt;    &lt;m:intlim m:val="subSup"&gt;    &lt;m:narylim m:val="undOvr"&gt;   &lt;/m:narylim&gt;&lt;/m:intlim&gt; &lt;/m:wrapindent&gt;  &lt;/m:defjc&gt;&lt;/m:rmargin&gt;&lt;/m:lmargin&gt;&lt;/m:dispdef&gt;&lt;/m:smallfrac&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Digamos que você resolveu matar alguém, que não tem outro jeito de resolver um problema aí em que você se enfiou, um problema dos grandes, mas que nem vamos comentar aqui, isso é assunto seu, ninguém tem que saber nada da sua vida. Mas o fato é que só matando mesmo pra você voltar a dormir sossegado – no máximo com sua consciência enchendo o teu saco. Consciência é o menor dos problemas que um homem pode ter, é bom que se diga. Consciência não mata e nem manda matar, o camarada tem que ser muito veadinho pra deixar de resolver um problema desses bem grandes, como esse aí em que acho que você se meteu e não vai me dizer qual é, porque não interessa nem pra mim e nem pra ninguém saber da sua vida, por causa de peso na consciência. Pois bem, o complicado de se matar alguém é que você resolve um problema e cria outro. É você matar alguém e criar um defunto, uma coisa leva à outra. E defunto é o chato que não vai embora. É pior que visita inconveniente, do tipo que aparece em sua casa, geralmente sem avisar, e vai ficando, tomando seu tempo e torrando sua paciência. Você precisa mentir, olha que coisa mais feia!, precisa dizer que seu pai está doente e que você precisa correr pro hospital ou que está na hora de buscar as crianças na saída da escola – e nem filho você tem. Pois o defunto é ainda pior que o amigo chato que vai pra sua casa e se esquece de ir embora. Defunto não vai embora mesmo. E um defunto em sua casa, porque vamos pensar que a coisa toda aconteceu na sua casa, um defunto que não morreu de livre e espontânea vontade, que não morreu naturalmente, que morreu porque você lhe enfiou um tiro na cara, por exemplo, é um defunto difícil de explicar. Se já é complicado como defunto fresco, imagina então quando ele começa a apodrecer. E é rápido! É o camarada morrer pra mil bactérias e mais isso e mais aquilo e sei lá mais o que começarem a foder com o corpo. E o camarada vai inchando e derretendo, inchando e derretendo, inchando e derretendo. E fedendo. E não dá pra simplesmente jogar o corpo fora, um cadáver não é algo que se coloque no lixo e o assunto está resolvido. Se livrar de um cadáver dá um trabalho do cão, mesmo que o finado seja franzininho, bem miudinho mesmo, o problema é grande, é enorme, e aí o leão está solto. Está solto e está atrás de você. E é muito difícil que o leão não te almoce ou te jante, porque leão é bicho bravo e sua casa é pequena, não tem como você fugir do leão. Não tem como se livrar do defunto com um leão rugindo atrás de você. E é tanta janela na sua casa que dificilmente aquela sua vizinha fofoqueira deixe de ver que há um defunto caído no meio da tua sala. E quando ela vir o presunto vai rugir pra todo mundo, com toda certeza, porque ela te odeia!!, que tem um defunto manchando seu tapete com sangue. Então, na vã esperança de que aquela leoa fofoqueira não tenha visto o cadáver, você começa a fechar as janelas e a apagar as luzes da casa e nesse esforço patético de esconder o que aconteceu, derruba coisas, faz barulho e termina chamando a atenção de toda a vizinhança. E se fode. E se fode pra valer, que aí os leões, os chacais, os urubus e as hienas todas que habitam perto da sua casa, na sua rua, essa bicharada toda começa a farejar que você fez alguma besteira e que eles finalmente irão se vingar de você ou que irão se vingar do mundo em você. E olha que o defunto ainda nem começou a feder tanto assim. Ah, mas isso não demora, é coisa pra daqui a pouco. Já te falei que defunto apodrece rápido não falei? E você acha que a urubuzada toda não vai sentir o cheiro da carniça? Outra coisa: e com toda a savana te espionando como é que você vai dar sumiço no corpo sem dar na vista? Vai cavar um buraco e enterrar? E como vai explicar pra suas visitas o estrago no piso, justo aquele porcelanato caríssimo que você comprou, de sei lá quantos paus o metro e cheio de frufrus? E que foi tão bem colocado, coisa difícil numa cidade onde a mão de obra é uma merda e é um milagre encontrar um bom assentador de piso? Outra coisa: e se o amigo morar em apartamento? Vai cavar um buraco no piso do apartamento? Só se a idéia for enterrar no apartamento de baixo, daquele síndico que vive querendo te ferrar. O que estou dizendo é que se vai matar, se você mesmo é que vai matar – porque cismou de fazer economia boba -, não vá matar em sua casa, entendeu? Mesmo que o candidato a defunto vá te aporrinhar na sua porta, te humilhar diante dos seus vizinhos, aquelas hienas. Em casa não, jamais. Nunca! Olha só, você achando que cobro caro e fico aqui perdendo meu tempo e lhe dando conselho de graça. Isso é comportamento de explorador? É que tem certas coisas que não dá pra fazer barato, entendeu? Porque o negócio não é só matar, é matar e ficar relaxado, livre de suspeitas. É, porque tem que pensar nisso também. O sujeito morreu com um tiro na fuça? Opa, vão se perguntar quem matou, entendeu? E no mínimo, se algum policial suspeitar de você, descobrir que foi você, vai te prender ou te chantagear pelo resto da vida. Já imaginou um policial te estorquindo, ligando pra você dia e noite, atrás do teu dindim, doutor? O defunto vai gostar de saber que você está se ferrando, porque é o que vai acontecer. Vai sair muito mais caro que esse dinheirinho aí que te falei, quer saber? Bom é quando você mata e nem parece que matou. Sei lá, faz parecer acidente. Acontece muito, está sabendo? E eu, modestamente, sou mestre nesse tipo de coisa. Ó, atropelamento, minha especialidade! Ninguém aporrinha ninguém se um cara foi atropelado. Ninguém fica pensando que foi um assassinato premeditado ou sei lá o que, entende? E aí não tem policial filho da puta ligando pra sua casa, pedindo grana, morou? Foi só um acidente de trânsito com vítima fatal. Foi só um motorista bêbado que atropelou alguém e fugiu sem prestar socorro. Então a gente não vê todos os dias no jornal?! O bom é que se a gente fechar e eu cismar de resolver desse jeito você nem vai ter certeza que fui eu mesmo. Vai que aconteceu de o cara ser atropelado mesmo? Pode acontecer. Você vai pagar mais pra se livrar de mim, mas com o tempo vai botar na cabeça que por uma dessas coincidências da vida o teu amigo aí foi mesmo atropelado por algum bebum e eu ganhei tua grana sem fazer força. Ó, nem peso na consciência você vai ter. Vai dormir tranqüilo, vai botar na cabeça que não teve nada a ver com isso e ponto final. Agora, nem pensar em atropelar o cara você mesmo, não ia dar certo. Estava te esperando e vi como foi difícil pra você estacionar. Puxa, uma vaga fácil daquelas!! Não vá me fazer nenhuma besteira que atropelar, mas atropelar propositalmente, não é para amadores. Sobretudo amadores barbeiros que nem o doutor, desculpa a franqueza. Bom, está na minha hora, preciso ir. Uma pena a gente não fazer negócio. Será que posso te ajudar de algum outro jeito? Te dar mais alguma dica? Fica tranqüilo que é de graça, o ‘explorador’ aqui não vai te cobrar por isso. Devia. Até devia cobrar, mas dinheiro não é tudo, não é mesmo? Falando em dinheiro, pelo menos a conta você vai pagar, não vai? Ufa!! Pelo menos isso. Pelo menos isso!! Mas como rico é mão fechada, meu Deus? O quê? O doutor não é rico, não tem tanto dinheiro assim? Está certo, está certo, já entendi. Não devia, mas vou lhe dar um desconto. Digamos que de vinte por cento, está bom? Metade agora e metade depois que o cara empacotar. O quê? Trinta? Nem a pau! Vinte!! Vinte é o que dá pra fazer. Não, não quero ouvir outra proposta. Até outro dia e passar bem. Espera aí? Mas esperar pra quê? Olha que tenho mais o que fazer, tenho filho pra criar, ex-mulher enchendo o saco, preciso ganhar dinheiro, doutor. Hein? O senhor aceita? Não acredito, mas não acredito mesmo. Pois fez um bom negócio, está sabendo? Pode esquecer o problemão aí em que você se meteu, que ele já está resolvido, compreendeu? Ah, e pede mais uma. Pede mais uma que estou com a goela seca de tanto falar. Difícil. O doutor não é cliente fácil. Mas que mão de vaca, meu Deus! Rico é tudo mão de vaca! Vai ver por isso é que é rico. É, vai ver que é.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20195465-6227419795091655345?l=wanderantunes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wanderantunes.blogspot.com/feeds/6227419795091655345/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20195465&amp;postID=6227419795091655345' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20195465/posts/default/6227419795091655345'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20195465/posts/default/6227419795091655345'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wanderantunes.blogspot.com/2011/04/defunto-e-o-chato-que-nao-vai-embora_11.html' title='Defunto é o chato que não vai embora'/><author><name>Wander Antunes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20195465.post-4034830321589391780</id><published>2011-04-05T13:18:00.003-07:00</published><updated>2011-04-05T13:18:07.276-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Não é um Rembrandt</title><content type='html'>Boteco do Mossoró, bem mais de meia-noite. Estávamos numa mesa ao lado  da porta, eu, o Bonitão e o Paranhos, que tinha acabado de fazer a  pergunta ao Bonitão, como se não soubesse a resposta:&lt;br /&gt;
— E aí?&lt;br /&gt;
— E  aí? Como e aí? Aí o Zezinho aqui papou, carambolas! Também, o marido  tava pedindo! O sujeito que vai pra Amazônia alfabetizar a bugrada e  deixa um mulherão daqueles sozinho em casa está pedindo ou não está?&lt;br /&gt;
Estava. E eu também resolvi pedir, outra coisa é claro:&lt;br /&gt;
— Ô Mossoró, vê mais uma aí. Bem gelada!&lt;br /&gt;
— Mas tu não faz outra coisa na vida, Bonitão? — quis saber o Paranhos, indignado com a boa vida do garanhão.&lt;br /&gt;
— E dá tempo? Faz idéia de quanta mulher tem nesse Rio de Janeiro?&lt;br /&gt;
Foi nessa hora que seu Evangelista, sempre com sua bíblia debaixo do braço, entrou no boteco.&lt;br /&gt;
— O que vai ser, seu Evangelista? — perguntou Mossoró, já louco pra ver o homem ir embora.&lt;br /&gt;
— Um copo d´água, irmão. Só um copo d´água.&lt;br /&gt;
Enquanto  Mossoró foi apanhar a água, os clientes mais próximos ao balcão  recuaram, incomodados com a presença do religioso. O clima no boteco  tinha mudado do vinho pra água, só Bonitão continuava agitado como  antes:&lt;br /&gt;
— O negócio é o seguinte, Paranhos, se o Zezinho aqui for  papar todo o mulherio que corre atrás dele não sobra tempo nem pro  Fla-Flu.&lt;br /&gt;
Tive que segurar o homem:&lt;br /&gt;
— Agora não! Agora não!!&lt;br /&gt;
Seu  Evangelista bebeu sua água, agradeceu e foi saindo do boteco. Mas  então, quando todos já respiravam aliviados, olhou para um dos  presentes, um mulatinho chamado Marinaldo, e se aproximou dele.&lt;br /&gt;
— Boa noite, seu Marinaldo. E sua senhora, melhorando?&lt;br /&gt;
— E tem jeito, seu Evangelista? Entra ano sai ano e a pobre só piorando, coitada.&lt;br /&gt;
—  Pois o senhor não perca as esperanças. Eu vou interceder por ela nas  minhas orações e com certeza Deus há de operar. O poder de Deus é  soberano, seu Marinaldo. Soberaníssimo!&lt;br /&gt;
— Amém, seu Evangelista, Amém!&lt;br /&gt;
— Sabe, seu Marinaldo, o senhor é mesmo um homem de sorte.   &lt;br /&gt;
E o Marinaldo, com uma ironia triste na voz:&lt;br /&gt;
— Sou, é?&lt;br /&gt;
— Pois não é que estou sentindo, bem forte, a presença do Altíssimo?! Aliás, Ele está falando comigo agora mesmo. Aleluia!&lt;br /&gt;
— É mesmo? Bem... Boa noite, seu Evangelista. Boa noite que eu já vou indo e...&lt;br /&gt;
— Boa noite não, que vou acompanhar o senhor até a sua casa.&lt;br /&gt;
— Minha casa? Mas não estou indo pra lá, seu Evangelista. Antes eu ainda tenho que resolver um assunto...&lt;br /&gt;
—  E tem assunto mais importante que a saúde da sua senhora? Deus, seu  Marinaldo, Deus está dizendo pra eu ir até sua casa operar um milagre, o  senhor está me entendendo? — e antes que Marinaldo pudesse dizer alguma  coisa, seu Evangelista já o empurrava pra fora do boteco. — Vamos logo,  homem, vamos expulsar o demônio da enfermidade do corpo da sua senhora.&lt;br /&gt;
Assim que saíram o boteco tornou a ficar ruidoso. Então dei uma senhora comida de rabo no Bonitão:&lt;br /&gt;
— Mas o que você ia fazendo? Queria atrair o urubu pra nossa mesa, é?&lt;br /&gt;
— Ué?... Mas o que foi que eu fiz?&lt;br /&gt;
— Então você não sabe que pro seu Evangelista a alegria alheia é quase ofensa pessoal?&lt;br /&gt;
Paranhos reforçou:&lt;br /&gt;
—  O que esse elemento gosta mesmo, no duro, é de topar com neguinho ruim  das pernas, na pindaíba... Pra poder ‘derramar’ sua piedade sobre o  infeliz.&lt;br /&gt;
— Isso! – concordei. — Como é que ele vai dar uma de  bonzinho e piedoso se o sujeito estiver vendendo saúde, se tiver ganho  no bicho?&lt;br /&gt;
— Eu que não preciso da generosidade dele — disse Bonitão,  já se levantando. — Bom, vou indo... O Zezinho aqui vai confortar uma  dona solitária... Coitada, o marido dela está de plantão hoje.&lt;br /&gt;
Eu:&lt;br /&gt;
— Vai, meu filho, vai consolar a coitadinha.&lt;br /&gt;
O Paranhos:&lt;br /&gt;
— Vai, filho da mãe.&lt;br /&gt;
E  o Bonitão foi. Daí, aproveitado que estávamos a sós, toquei no assunto  que trouxe o Paranhos ao boteco do Mossoró àquela noite:&lt;br /&gt;
— E teu homem, Paranhos? Quem é o tal sujeito?&lt;br /&gt;
—  Só vou saber quando o X-9 chegar. Mas que ele é um desses aí, isso é. E  aposto que vou ser promovido depois que mandar o cretino pra trás das  grades.&lt;br /&gt;
— Já estou até vendo, na primeira página dos jornais, em letras garrafais: Sherlock de ébano desbarata quadrilha internacional!&lt;br /&gt;
— Só estou cumprindo com meu dever — disse Paranhos, com a falsa modéstia mais mal disfarçada do planeta.&lt;br /&gt;
— Então merece outra bem gelada. Vê outra aqui, Mossoró!!&lt;br /&gt;
Então o X-9, um sujeito muito magro e desconfiado, a cabeça enfiada num boné, entrou no boteco e foi até o balcão.&lt;br /&gt;
— Ó o dedo-duro aí!! Agora é ver quem ele vai alcagüetar...&lt;br /&gt;
Nisso,  X-9 pediu uma cerveja e começou a procurar alguém entre os presentes.  Olhou pra um, pra outro, pra um lado, pro outro. E aí olhou pro  Paranhos, como quem diz: “Teu homem não está aqui”.&lt;br /&gt;
— Será que o elemento ainda não veio? Não estou gostando. O X-9 garantiu que era batata, que o sujeito está sempre por aqui...&lt;br /&gt;
— Calma que o Brasil é nosso! Espera um pouco que teu homem já deve estar chegando aí... Ó,toma mais uma, que essa tá supimpa!&lt;br /&gt;
Tomamos muitas outras e nada de o tal sujeito aparecer.&lt;br /&gt;
—  Papagaio! O X-9 garantiu que um elemento aqui do bairro se meteu com  essa quadrilha que te falei... Parece que o filho da mãe estava  apertado, precisando de grana e aí deu a dica de um trabalho pra eles...&lt;br /&gt;
— E fez bom negócio?...&lt;br /&gt;
—  Uma ova que fez! Ninguém bota a mão nessa quadrilha porque eles têm o  hábito de dar cabo de todos que se envolvem com eles... O cara acha que  está fazendo um negocião e termina no Caju, comendo capim pela raiz.&lt;br /&gt;
— Papagaio!!&lt;br /&gt;
—  E periga apagarem o sujeito antes de eu botar as mãos nele... Soube que  o bando contratou o Rembrandt pra fechar o paletó do pessoal que sabe  demais, que pode dar com a língua nos dentes...&lt;br /&gt;
— Rembrandt?&lt;br /&gt;
—  É... Chamam ele assim porque o homem é um artista. Todas as suas vítimas  terminam com um buraco no meio da testa. É a assinatura dele. O  sujeito, onde põe o olho põe a bala.&lt;br /&gt;
De repente Paranhos bateu o copo com violência sobre a mesa.&lt;br /&gt;
— Assim não dá, tem algo errado! Vem comigo, Zózimo!&lt;br /&gt;
E  se levantou, foi pro banheiro. E eu com ele. Ao passar próximo ao  dedo-duro fez um discreto sinal para que ele nos acompanhasse.&lt;br /&gt;
E me pediu, assim que o X-9 entrou no banheiro:&lt;br /&gt;
—  Fica de olho e me avisa quando estiver vindo alguém — e partiu pra cima  do X-9. — Cadê o elemento, ô infeliz? Você está brincando comigo?&lt;br /&gt;
— Era pra estar aqui... Ele sempre vem...&lt;br /&gt;
A  paciência de Paranhos tinha se esgotado, estava na cara que logo ia dar  um cataplum no alcagueta, eu sabia. E pela cara do X-9, ele também já  tinha morado a jogada.&lt;br /&gt;
— Então me dá o nome dele, infeliz!!&lt;br /&gt;
— O  nome eu não me lembro... Mas sei quem ele é... Um cara que vem sempre  aqui, eu juro. Se eu bater o olho nele reconheço na mesma hora!&lt;br /&gt;
Então,  pra sorte do X-9, eu aviso que vem vindo gente. Dois caras. Paranhos  soltou X-9 e foi lavar as mãos. X-9, foi urinar. Já tinha até urinado,  pra falar a verdade.&lt;br /&gt;
Os dois sujeitos também tinham ido urinar.&lt;br /&gt;
—  Duas da matina? — disse um deles, um careca baixinho. — Estou fodido,  minha mulher vai me comer o fígado quando eu chegar em casa...&lt;br /&gt;
— Vai  nada... Finge que não é com você e vai dormir que uma hora ela se cansa.  Ó, fodido está o Marinaldo, que vai aturar o seu Evangelista  azucrinando no ouvido dele a noite toda.&lt;br /&gt;
Ao ouvir o nome do Marinaldo, X-9 pareceu se lembrar de alguma coisa.&lt;br /&gt;
— Coitado do Marinaldo — disse o careca baixinho —, como se já não bastasse o morre não morre da mulher...&lt;br /&gt;
Os dois homens saíram do banheiro. Paranhos, diante do espelhinho quebrado, estava penteando o cabelo quando X-9 correu até ele:&lt;br /&gt;
— Marinaldo! É isso!! O nome do cara é Marinaldo!!&lt;br /&gt;
Depois  de um “Vem comigo, Zózimo”, Paranhos saiu voando baixo do banheiro,  pagou nossa conta e me arrastou pro seu carro. Daí há pouco estávamos  diante da casa do Marinaldo.&lt;br /&gt;
— Tem certeza que é ele mesmo?&lt;br /&gt;
— É o  único Marinaldo que conheço. E depois ele não anda na maior pinda,  gastando o que tem e o que não tem por causa da doença da mulher?&lt;br /&gt;
— E o infeliz pensando que a pior coisa que podia lhe acontecer essa noite era ter que aturar o seu Evangelista...&lt;br /&gt;
—  Tá certo que ele não sai dessa sem umas porradas... Mas estou salvando a  vida dele!! Que se o Rembrandt chegar antes o elemento vai direto pro  Caju.&lt;br /&gt;
Então o som de um disparo veio do interior da casa. E outro. E  mais outro. Paranhos sacou o revólver, saiu catando cavaco do carro,  correu até a casa do Marinaldo, deu um coice na porta e entrou. Eu o  acompanhei, sem pressa nenhuma, é claro.&lt;br /&gt;
A sala da casa era pequena e  de poucos móveis, pela porta aberta que liga a sala ao quarto dava pra  ver a mulher do Marinaldo vegetando na cama. Marinaldo estava caído, no  meio da sala, praticamente no fim do carretel, amparado pelo religioso.&lt;br /&gt;
— Cadê o cara que atirou? – gritou Paranhos.&lt;br /&gt;
Seu Evangelista apontou pros fundos da casa:&lt;br /&gt;
— Pra lá, saiu pelos fundos.&lt;br /&gt;
Paranhos  saiu voando baixo, atrás do Rembrandt. Eu me sentei no sofá, bem ao  lado de seu Evangelista e do Marinaldo. Depois apanhei o telefone e  liguei pro hospital.&lt;br /&gt;
— Tá morto? – quis saber.&lt;br /&gt;
— Quase. Não tem  escapatória — e piedoso, acariciando a face de Marinaldo. — O Senhor há  de ter um bom lugar pra ti, meu filho...&lt;br /&gt;
Eu já estava falando com o hospital:&lt;br /&gt;
— Não é caso de pressa não... Manda o rabecão. Quê?... O nome da rua? Peraí... Qual é mesmo o nome dessa rua, seu Evangelista?&lt;br /&gt;
Marinaldo, coitado, empacotando, olhava fixamente pro seu Evangelista.&lt;br /&gt;
— Qual é o nome dessa rua? — tornei a perguntar.&lt;br /&gt;
E seu Evangelista, demonstrando a inconveniência minha pergunta:&lt;br /&gt;
— Ora meu filho, faz favor...&lt;br /&gt;
Não  teve jeito, tive que ir olhar. Pedi pra telefonista esperar um minuto e  saí. Dentro da casa seu Evangelista continuava confortando o Marinaldo:&lt;br /&gt;
—  Se você não tivesse corrido não sofria desse jeito, sua besta... Eu  botava a bala no meio da sua testa, ficava um negócio bonito, uma  pintura... Agora, por culpa tua, olha a merda de trabalho cagado que  tive de fazer...&lt;br /&gt;
Quando voltei deu pra ver que o Marinaldo estava bem mais pra lá do que pra cá. Corri pro telefone:&lt;br /&gt;
— Rua da Saudade. 25. Isso... É, Madureira. Não precisa pressa...&lt;br /&gt;
Quando  desliguei o telefone Marinaldo já estava morto. Então seu Evangelista  se levantou, apanhou sua bíblia e foi até o quarto onde a mulher do  finado agonizava fazia anos.&lt;br /&gt;
— O que o senhor vai fazer? – perguntei.&lt;br /&gt;
E ele, enigmático:&lt;br /&gt;
— Deixai os mortos com os seus mortos. É preciso cuidar dos vivos, seu Zózimo.&lt;br /&gt;
Seu Evangelista se ajoelhou diante do leito da viúva agonizante e começou a orar, dava pra ver pela porta aberta.&lt;br /&gt;
— Poderosíssimo Senhor, que sois a saúde eterna, escutai as orações por este doente...&lt;br /&gt;
O  Paranhos tinha voltado, cansado e furioso. Pelo visto o tal Rembrandt  tinha escapado. Sentou-se ao meu lado. Seu Evangelista, em transe,  continuava orando.&lt;br /&gt;
— Bem sabemos que todos os recursos da ciência e  todos os remédios humanos nada podem sem Vós, autor e inspirador de todo  conhecimento útil...&lt;br /&gt;
Paranhos, depois que se acalmou, ao ver o estrago no peito e nas costas do Marinaldo, me garantiu:&lt;br /&gt;
— Não é um Rembrandt! Um artista como ele não ia fazer um trabalho porco desses.&lt;br /&gt;
Tive  que concordar, o que tinham feito no Marinaldo não era mesmo uma obra  de arte. Mas se aquela noite o tal Rembrandt não tinha dado as caras o  mesmo não se podia dizer do Homem Lá de Cima, que devia mesmo se dar bem  com seu Evangelista. Pois não é que, depois de o urubu passar a noite  orando por ela, a viúva melhorou? Sim senhores, depois de anos de morre  não morre a mulher do Marinaldo levantou-se e andou. Um milagre batata  do seu Evangelista. No duro mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20195465-4034830321589391780?l=wanderantunes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wanderantunes.blogspot.com/feeds/4034830321589391780/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20195465&amp;postID=4034830321589391780' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20195465/posts/default/4034830321589391780'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20195465/posts/default/4034830321589391780'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wanderantunes.blogspot.com/2011/04/nao-e-um-rembrandt.html' title='Não é um Rembrandt'/><author><name>Wander Antunes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20195465.post-4530622512202722674</id><published>2011-03-31T06:50:00.001-07:00</published><updated>2011-03-31T08:39:01.418-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigos'/><title type='text'>Os que perdem com a Copa do Mundo</title><content type='html'>&lt;m:smallfrac m:val="off"&gt;    &lt;m:dispdef&gt;    &lt;m:lmargin m:val="0"&gt;    &lt;m:rmargin m:val="0"&gt;    &lt;m:defjc m:val="centerGroup"&gt;    &lt;m:wrapindent m:val="1440"&gt;    &lt;m:intlim m:val="subSup"&gt;    &lt;m:narylim m:val="undOvr"&gt;   &lt;/m:narylim&gt;&lt;/m:intlim&gt; &lt;/m:wrapindent&gt;  &lt;/m:defjc&gt;&lt;/m:rmargin&gt;&lt;/m:lmargin&gt;&lt;/m:dispdef&gt;&lt;/m:smallfrac&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: small;"&gt;A Fifa faz uma série de exigências aos países candidatos a sediar uma Copa do Mundo, com vistas a garantir as condições ideais para a realização do evento, incluindo-se aí, obviamente, seus lucros estratosféricos, e todos os governantes, sejam eles de de nações asiáticas, européias, africanas, americanas ou da oceania, se desdobram em esforços para atender a essas exigências, tamanho é seu desejo de sediar o Campeonato Mundial de Futebol. A Fifa bem que poderia ampliar sua lista de exigências e incluir entre elas transparência e respeito aos cidadãos atingidos pelos processos de desapropriação e remoção com o mesmo empenho que defende os seus próprios interesses. A entidade não terá nenhum prejuízo ao incluir transparência e respeito como condições fundamentais para as nações postulantes se habilitarem a sediar uma copa, nenhum governo abrirá mão de sediar seu evento por ter que agir de modo justo com parte de sua população, aquela que perde o jogo, e eventualmente suas casas e até vidas, antes mesmo que o campeonato comece. Mas a entidade costuma se calar diante da violência com que vários países - lembram da África do Sul? -, tratam os que precisam deixar seus lares para que estádios sejam erguidos, avenidas sejam duplicadas, trincheiras sejam abertas. É como se o gigantesco custo humano do evento, pago sobretudo pelas populações mais carentes, fosse a coisa mais natural e aceitável do mundo para o senhor Blatter e para e entidade que ele preside. Será que é?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: small;"&gt;É urgente impedir que governos pouco democráticos - impossível considerar estruturas de poder que não primam pela transparência como verdadeiramente democráticas - sigam torturando psicologicamente e arruinando economicamente um número enorme de famílias que precisam ser desalojadas nos inevitáveis processos de desapropriação ocorridos por conta das transformações urbanas impostas às cidades-sede. A Fifa não pode abrir mão de usar o enorme poder de que dispõe para exigir, especificamente no caso brasileiro, que as autoridades encarregadas das desapropriações e remoções abram suas caixas-pretas e iniciem imediatamente as conversações com a população afetada pelas obras da Copa de 2014. Eles têm o dever moral de realocar dignamente as comunidades removidas e devem informar, oficial e imediatamente, quais imóveis serão desapropriados – intolerável alegar que ainda desconheçam quais são eles - e qual o critério adotado para as indenizações. É inaceitável que sigam protelando essas informações, tal comportamento é sintoma de que não querem dar tempo hábil para discutir e garantir uma justa indenização aos que serão desapropriados ou removidos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: small;"&gt;O comportamento das autoridades brasileiras, presente em praticamente todas as cidades-sede, têm se relevado incompatível com a democracia e com os ideais esportivos. Mais que do que um milionário evento futebolístico, uma Copa do Mundo tem o dever de se pretender um evento de evolução civilizatória – uma civilização solidária. E poderia ser, caso a Fifa assim o desejasse e se mostrasse maior que os estados nacionais que eventualmente brutalizam parte de sua população, &amp;nbsp;pretensamente em nome do interesse coletivo, e terminam por esvaziar de sentido a Copa do Mundo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: small;"&gt;Como a Fifa apoiou financeiramente chilenos e haitianos na reconstrução de seus países, ambos afetados por recentes terremotos, talvez não seja demais esperar que seu próximo passo seja exatamente o de observar muito atentamente o destino dos que perdem o sono por conta de seu evento (e não é por temer que a seleção de seu país seja desclassificada).&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: small;"&gt; Observar e intervir, é claro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20195465-4530622512202722674?l=wanderantunes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wanderantunes.blogspot.com/feeds/4530622512202722674/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20195465&amp;postID=4530622512202722674' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20195465/posts/default/4530622512202722674'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20195465/posts/default/4530622512202722674'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wanderantunes.blogspot.com/2011/03/os-que-perdem-com-copa-do-mundo.html' title='Os que perdem com a Copa do Mundo'/><author><name>Wander Antunes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20195465.post-3491920712842686122</id><published>2011-03-26T08:00:00.001-07:00</published><updated>2011-03-31T08:25:17.756-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigos'/><title type='text'>Um cara e quinhentos e doze outros caras</title><content type='html'>&lt;m:smallfrac m:val="off"&gt;    &lt;m:dispdef&gt;    &lt;m:lmargin m:val="0"&gt;    &lt;m:rmargin m:val="0"&gt;    &lt;m:defjc m:val="centerGroup"&gt;    &lt;m:wrapindent m:val="1440"&gt;    &lt;m:intlim m:val="subSup"&gt;    &lt;m:narylim m:val="undOvr"&gt;   &lt;/m:narylim&gt;&lt;/m:intlim&gt; &lt;/m:wrapindent&gt;  &lt;/m:defjc&gt;&lt;/m:rmargin&gt;&lt;/m:lmargin&gt;&lt;/m:dispdef&gt;&lt;/m:smallfrac&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="ES"&gt;Sei pouco sobre o deputado federal José Antonio Reguffe (PDT-DF), embora esse pouco não o descredencie, de todo modo é preciso reconhecer que ele começa bem sua atividade representativa. De saída ele abriu mão - em caráter irrevogável - de parte da dinheirama a que tem direito os deputados e ainda reduziu o número de seus assessores, de 25 para 9. Também abriu mão de cotas de passagens e auxílio moradia (faz sentido, já que mora em Brasília). Por conta disso os quatros anos de seu mandato vão custar em torno de 3 milhões a menos que o de seus pares para os cofres públicos. Ele argumenta que ‘um mandato parlamentar pode ser de qualidade custando bem menos para o contribuinte do que custa hoje’. Algum outro deputado federal concorda com ele? Se considerarmos que até o presente momento não há registro de que algum deles tenha feito movimento semelhante é bem provável que não. 513 deputados federais se acotovelando no congresso e só 1 deles acha que é possível exercer uma representação de qualidade recebendo menos dinheiro por isso e contando com um número menor de assessores. Se esse cara, Reguffe, estiver certo os outros 512 caras ou estão errados ou são gastadores compulsivos. Ou Reguffe se condenou a exercer o mandato que lhe foi confiado de maneira capenga, por falta de gente ou sabe-se lá porque, ou os demais estão exigindo dinheiro demais e gente demais para realizar um trabalho que poderia ser realizado com menor orçamento e número menor de pessoal. Caso Reguffe consiga desempenhar seu mandato de modo satisfatório (ou mais do que isso, vá lá) estará provando que seus pares estão desperdiçando dinheiro público e que é preciso rever o tamanho da estrutura e os salários que lhes são oferecidos. Só de assessores, imaginando que os demais cortassem seus quadros na mesma proporção, seriam 8 mil cargos a menos, oito mil salários a menos. A economia certamente não seria pequena.&lt;br /&gt;
Reguffe não tem que ser incensado por seu gesto, se concluiu que não é preciso tanto dindim e tanto pessoal para desempenhar a função tinha mesmo que fazer o que fez. E mesmo contando com orçamento menor e menos pessoal não devemos esperar – nem aceitar – da parte dele uma atuação menos produtiva que a de seus pares. Mas não acho que ele espere condescendência, creio estar diante de um cara que sabe o que está fazendo. O diabo é que chegar a essa conclusão impõe reconhecer que os outros 512 caras, mesmo os mais ingênuos e inocentes (será que tem algum no congresso?), estão nos custando mais caro do que deveriam, cobrando mais do que deveriam por seu trabalho. Dá para confiar em gente assim? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20195465-3491920712842686122?l=wanderantunes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wanderantunes.blogspot.com/feeds/3491920712842686122/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20195465&amp;postID=3491920712842686122' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20195465/posts/default/3491920712842686122'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20195465/posts/default/3491920712842686122'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wanderantunes.blogspot.com/2011/03/um-cara-e-quinhentos-e-doze-outros.html' title='Um cara e quinhentos e doze outros caras'/><author><name>Wander Antunes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20195465.post-6530827908806427744</id><published>2011-01-26T04:11:00.001-08:00</published><updated>2011-01-26T04:18:05.745-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Matando um amigo</title><content type='html'>O Santos quer porque quer saber por onde anda o Bonitão. Andou  perguntando pra todo mundo. Jurou dar um tiro nas fuças do Don Juan e  coisa e tal. Agita a foto do garanhão, que encontrou na bolsa da mulher,  ameaça rasgá-la, quase rasga, se arrepende e em seguida a leva até bem  perto dos olhos (o homem é cego como uma toupeira), se esforça para  fixar a imagem do "inimigo da família", do "tarado".&lt;br /&gt;
— Ele é seu  amigo, não é? — não sei quem havia dito pra ele que se alguém sabia do  Bonitão esse alguém era eu. — Onde ele está, seu Zózimo? Cadê o infeliz?&lt;br /&gt;
A  fera não vai sossegar enquanto não mandar o Bonitão pro Caju. Está  escrito. Destino! Nem adianta tentar enrolar, dizer que não sei por onde  ele anda, que não o vejo há muito tempo, essas coisas. Nada do que eu  disser vai salvar o couro do libertino. Sem falar que ficando calado não  ganho o dinheiro que o Santos está oferecendo por uma pista do amante  de sua cara-metade. E assim que dou o endereço do futuro defunto, Santos  cospe a proposta na minha cara.&lt;br /&gt;
— Te pago o dobro pra você acabar com ele!&lt;br /&gt;
— Peraí! O Bonitão é meu amigo...&lt;br /&gt;
— Então?! Assim fica mais fácil...&lt;br /&gt;
Nem adianta discutir, o corno quer serviço completo: barba, cabelo e bigode. Fazer o quê?&lt;br /&gt;
— Tudo bem... Mas vai sair mais caro!&lt;br /&gt;
Aos berros de "mata!", "mata!", a toupeira dobra a oferta. Não dá pra resistir a tanta gaita, vou matar um amigo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O GRANDE MENTIROSO&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bonitão reage com incompreensível alívio quando lhe digo que o Santos pagou uma grana preta pra eu acabar com ele.&lt;br /&gt;
— Um irmão! Mais... Mais do que um irmão, Zózimo! Ufa! Se fosse outro o Zezinhho aqui já tinha vestido o paletó de madeira...&lt;br /&gt;
Preciso ser bem claro com ele:&lt;br /&gt;
—  Mas você vai morrer. Aliás, já está morto. Mortíssimo! Pensa: dei minha  palavra pro homem, aceitei o dinheiro do homem... Não tem outro jeito,  vou ter que matar. Sou profissional!&lt;br /&gt;
Então o garanhão entra em um pânico absolutamente compreensível:&lt;br /&gt;
— N-não! Não faça isso comigo... Olha, tem a minha mãe. O que vai ser da minha mãe se não mando o dinheiro pro tratamento dela?&lt;br /&gt;
— Mãe doente? Outro dia mesmo você me falou que sua mãe é forte que nem um touro.&lt;br /&gt;
—  Pois então... E é mesmo. E é mesmo, graças a Deus... Se não fosse já  tinha morrido. A coitada tem tuberculose. Está internada, fazendo  tratamento numa clínica lá em Campos do Jordão.&lt;br /&gt;
Mentira. Sei que é mentira, mas admiro quem sabe mentir, quem faz da mentira uma obra de arte. E o Bonitão é um artista.&lt;br /&gt;
— Não me mate! Pelo amor de Deus! Pela alma da minha mãe... Pela alma da minha mãe!!&lt;br /&gt;
— Vou matar e ponto final. Então não sou um profissional?!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SÓ UMA OLHADINHA!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A toupeira me passa o dinheiro, depois apanha a foto, leva até bem perto dos olhos e dá uma gargalhada.&lt;br /&gt;
— Come! Come agora, canalha!&lt;br /&gt;
E  aí me diz que perdoou a mulher, "uma vítima do tarado". E me encarando  (tentando), do fundo das grossas lentes, meio pergunta, meio ameaça:&lt;br /&gt;
—  Matou mesmo? Batata? Olha que vou guardar essa foto, ela vai estar  sempre no meu bolso, se dia desses esbarrar com esse infeliz aí pela  rua, você morre.&lt;br /&gt;
— Pára! Pára que desse jeito o senhor me ofende. Eu sou um profissional, está sabendo? Um profissional! Pode confiar...&lt;br /&gt;
Ele  se dá por satisfeito, me passa o resto do pagamento e se levanta para  ir embora. Eu o acompanho até a saída do boteco do Mossoró, onde nos  reunimos.&lt;br /&gt;
— Sabe que eu gostava dele? Engraçado... O senhor odeia o  homem e está com uma foto dele aí na sua carteira. Já eu, que fui amigo  do Bonitão, não tenho nem uma lembrança dele. Será que posso dar uma  última olhada aí na sua fotografia? Coisa rápida... Sabe, é que me  incomoda a última lembrança que tenho do infeliz, me encarando daquele  jeito, com a cara cheia de buraco de bala.&lt;br /&gt;
A toupeira me passa a foto.&lt;br /&gt;
— Uma olhadinha, ouviste? Só uma olhadinha.&lt;br /&gt;
Nem  tomo cuidado quando substituo a foto do Bonitão por uma outra, de um  tipo até bem parecido com ele, o Rocha, morto há uns dois anos, durante  um assalto em Cosme Velho, o Santos não é capaz de enxergar um elefante a  dois passos do nariz.&lt;br /&gt;
Dou foto pra toupeira e ela vai embora,  triunfante, atropelando todos os postes do caminho. Fico algum tempo  ainda olhando o infeliz sumir pros lados da Carolina Machado, daí peço  uma Brahma ao Mossoró, a primeira delas – hoje a esbórnia é por conta do  ‘falecido’.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20195465-6530827908806427744?l=wanderantunes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wanderantunes.blogspot.com/feeds/6530827908806427744/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20195465&amp;postID=6530827908806427744' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20195465/posts/default/6530827908806427744'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20195465/posts/default/6530827908806427744'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wanderantunes.blogspot.com/2011/01/matando-um-amigo.html' title='Matando um amigo'/><author><name>Wander Antunes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20195465.post-2371042031718493782</id><published>2011-01-01T11:53:00.000-08:00</published><updated>2011-01-01T11:58:19.329-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigos'/><title type='text'>Dentro do buraco, na superfície do problema</title><content type='html'>&lt;m:smallfrac m:val="off"&gt;    &lt;m:dispdef&gt;    &lt;m:lmargin m:val="0"&gt;    &lt;m:rmargin m:val="0"&gt;    &lt;m:defjc m:val="centerGroup"&gt;    &lt;m:wrapindent m:val="1440"&gt;    &lt;m:intlim m:val="subSup"&gt;    &lt;m:narylim m:val="undOvr"&gt;   &lt;/m:narylim&gt;&lt;/m:intlim&gt; &lt;/m:wrapindent&gt;  &lt;/m:defjc&gt;&lt;/m:rmargin&gt;&lt;/m:lmargin&gt;&lt;/m:dispdef&gt;&lt;/m:smallfrac&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class="MsoNormal"&gt;Não me recordo em qual telejornal assisti a matéria e nem em qual bairro de Cuiabá, a cidade onde moro, o tal asfalto foi colocado. Não importa! O fato é que era asfalto novo, novíssimo, de no máximo dois meses, e a rua já estava cheia de buracos. Parte do asfalto foi levado (lavado, se você preferir) pela água das chuvas. Negócio triste de se ver. Espero que o futuro dos moradores desse bairro, dessa rua, não seja o de muitos outros cuiabanos: viver em uma via que já foi asfaltada um dia. Não são poucas as ruas da cidade onde verificamos vestígios de asfaltamento.&amp;nbsp; Nessas ruas o asfalto sumiu, sabe-se lá se por força da chuva, do tráfego ou da má qualidade da pavimentação. Imagino que por força da má qualidade da pavimentação, de alguma etapa ou de todo o processo, já que asfalto é feito pra resistir à força da chuva (salvo, vá lá, em casos extremos) e ao tráfego.&lt;br /&gt;
Sensação muito estranha a que tive ao assistir essa matéria. Negócio esquisito mesmo. Com o fato em si e com a cobertura também. Primeiro senti raiva, claro, e também senti pena dos moradores, gente que sonhou com o asfaltamento de sua rua, alegrou-se ao ver as máquinas chegando e que agora começa a temer pelo futuro, imaginando que logo aquele asfalto todo possa desaparecer. E teve a matéria, o trabalho jornalístico em si, que também me deixou meio borocoxô. Claro, bom que a matéria tenha sido feita, mas fiquei imaginando que para além de mostrar as crateras, ocorresse a quem realizou a reportagem uma visita à empresa que realizou a obra. Queria ouvir o responsável pelo serviço. Imagino que um engenheiro esteja por trás dessa obra. Queria ouvir esse profissional, saber, do ponto de vista dele, o que deu errado. Ninguém mais qualificado que o responsável pela obra para falar sobre o que deu errado. Não acho que mostrar o buraco, entrar dentro do buraco, seja o bastante. E além do responsável pela execução da obra, além de ouvir o engenheiro, além de ouvir o dono da empresa que executou o serviço, queria ouvir quem contratou o serviço. Acho, assim me parece, que a obra foi contratada pela prefeitura cuiabana. Foi? Imaginando que sim, e enquanto assistia a matéria ficava me perguntando o que nossos representantes, nossos prepostos, diriam daquilo. Será que, caso se chegasse à conclusão de que a obra foi realizada sem o devido cuidado, talvez com material de má qualidade ou que o executor não fosse dos mais qualificados, será que nesse caso o contrato para a execução da obra seria imediatamente rescindido? E que se pagamentos tivessem sido feitos, esse dinheiro seria devolvido aos cofres públicos? Essa empresa seria chamada para novas obras? Mas não ouvi nem os executores e nem os contratantes da obra, o jornalista ficou no buraco o tempo todo. Achei pouco, muito pouco. Eu, fosse quem devesse explicações, ficaria contente da vida de ver a imprensa dentro do buraco. Dentro do buraco e na superfície do problema.&lt;br /&gt;
Não é o meu caso, moro em uma via pavimentada e o asfalto dela ainda resiste, mas acho que está na hora de todo morador saber qual empresa está asfaltando sua rua, está na hora de ele saber quem é o engenheiro responsável pela obra. Tem memorial descritivo para asfaltamento? Deve ter, deve ter. E se tiver devia estar na internet. É complicado, difícil disponibilizar esse tipo de informação? De uns tempos pra cá acho que nada é tão difícil de se fazer, acho tudo factível. É uma questão de se querer fazer. De se querer informar, de se querer sair do buraco. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20195465-2371042031718493782?l=wanderantunes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wanderantunes.blogspot.com/feeds/2371042031718493782/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20195465&amp;postID=2371042031718493782' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20195465/posts/default/2371042031718493782'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20195465/posts/default/2371042031718493782'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wanderantunes.blogspot.com/2011/01/dentro-do-buraco-na-superficie-do.html' title='Dentro do buraco, na superfície do problema'/><author><name>Wander Antunes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20195465.post-7781514367085231460</id><published>2010-12-25T05:40:00.001-08:00</published><updated>2011-01-01T11:58:04.647-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigos'/><title type='text'>De sacanagem e representação</title><content type='html'>&lt;m:smallfrac m:val="off"&gt;    &lt;m:dispdef&gt;    &lt;m:lmargin m:val="0"&gt;    &lt;m:rmargin m:val="0"&gt;    &lt;m:defjc m:val="centerGroup"&gt;    &lt;m:wrapindent m:val="1440"&gt;    &lt;m:intlim m:val="subSup"&gt;    &lt;m:narylim m:val="undOvr"&gt;   &lt;/m:narylim&gt;&lt;/m:intlim&gt; &lt;/m:wrapindent&gt;  &lt;/m:defjc&gt;&lt;/m:rmargin&gt;&lt;/m:lmargin&gt;&lt;/m:dispdef&gt;&lt;/m:smallfrac&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class="MsoNormal"&gt;Houve um tempo em que a Suécia era, ao menos para mim, sinônimo de sacanagem. Eu confesso, aquelas suas revistinhas maravilhosas tornaram minha adolescência muito mais feliz. Bom, a juventude passou já faz um bom tempo, minhas revistinhas de sacanagem ficaram em algum lugar do passado e a Suécia deixou de ter qualquer relevo em minha vida. Voltou à cena num outro dia, falo disso mais adiante, a me mostrar que o eixo da sacanagem mudou: ao menos em se tratando de política, a bandalheira agora corre por nossa conta, que eles não são disso não. E foi justamente por conta desse meu reencontro com a Suécia que me vi pensando em nós, no Brasil, no quanto mimamos nossos representantes e em como esse mimo todo, esse poder todo, têm feito mais mal do que bem – para nós, bem entendido. Outro dia li que um senador brasileiro tem algo em torno de oitenta funcionários orbitando em torno dele – deveria ter uns dez ou doze, mas com o jeitinho chega fácil aos tais oitenta, um pouco mais ou um pouco menos. Mais do que representantes, criamos grandes empregadores. Precisa de tanta gente? Não sei quantos funcionários têm um deputado ou um vereador, mas estou seguro que também não são poucos. E não tem a ver somente com o número de funcionários, parece que todo o desenho da administração pública é muito concentrador de poder nas mãos dos políticos. Poder de empregar e, se quiserem, de silenciar e corromper também. Eles realmente precisam desse poder todo? Dá para exercer de maneira eficiente a representação que lhes outorgamos sem todo esse aparato – sabe Deus quantos funcionários, casa, comida, roupa lavada e muita grana à sua disposição? Nossos representantes, meio que resumindo a ópera, fazem leis, propõe e executam políticas públicas, representam e defendem os interesses de suas comunidades e etcétera e etcétera. Dá para cumprir tais obrigações com menos poder em mãos? De quanto poder a menos? Não sei. De qualquer modo há países em que a representação não é tão mimada como a brasileira e mesmo assim a coisa parece funcionar muito bem. A Suécia, olha ela aí, leva jeito de ser um desses países. Quem for ao YouTube - &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=5mLSS7ZUGVk&amp;amp;feature=player_embedded"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=5mLSS7ZUGVk&amp;amp;feature=player_embedded&lt;/a&gt; - assistir as reportagens sobre o exercício da representação por lá ficará de queixo caído com a vida de deputados e vereadores naquele país. Não é que seja uma vida dura, mas é completamente destituída de mordomias. Como o cenário deles não é de caos, fico imaginando que o fato de seus representantes não terem poder de empregar meio mundo, não terem cotas de passagens aéreas e nem receber grandes salários - lá os deputados recebem, ao menos atualmente, duas vezes o salário de um professor -, nada disso parece ter afastado gente competente da vida pública. Ao menos para quem olha a coisa de longe, a impressão que se tem é que eles têm dado conta do recado. O fato de a sueca ser uma das sociedades mais igualitárias do mundo, se não a mais!, deve ter alguma relação com o bom exercício da política. Não sou desses brasileiros que olham para o primeiro mundo e ficam babando e achando que eles são o máximo e que precisamos ser como eles ou algo assim, mas estou certo de que os suecos têm algo a nos dizer, a nos ensinar, e não tem nada a ver com sacanagem: eles também são muito bons em matéria de representação pública. O pouco que vi pelo Youtube me deixou excitado... ops!... encantado, perdão! Não estou dizendo que os políticos deles sejam mais santos que os nossos, estou dizendo que o modelo deles, baseado na transparência e no extremo rigor, parece aproximar da vida pública aqueles que realmente querem servir ao seu povo e ao seu país. A política por lá parece uma atividade levada bem mais à sério que por estas bandas. Diria que, ao menos em matéria de representação, eles não querem nada com a sacanagem. Perderam a mão, se é que você me entende.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20195465-7781514367085231460?l=wanderantunes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wanderantunes.blogspot.com/feeds/7781514367085231460/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20195465&amp;postID=7781514367085231460' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20195465/posts/default/7781514367085231460'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20195465/posts/default/7781514367085231460'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wanderantunes.blogspot.com/2010/12/de-sacanagem-e-representacao.html' title='De sacanagem e representação'/><author><name>Wander Antunes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20195465.post-5770680343214569791</id><published>2010-10-07T07:45:00.001-07:00</published><updated>2010-10-07T07:45:56.558-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Baleia</title><content type='html'>O cheiro de sangue lhe invade as narinas, adocicado, enjoativo. Apanha o maço de cigarros, é difícil para ele, o corpo dói a cada movimento, leva um deles à boca. Cadê a droga do fósforo? Não está no bolso, deve ter caído durante a luta. Puto, cospe o cigarro pra longe. Merda! Merda! Merda! A gordona, quem diria, deu mais trabalho que o marido. O sujeito morreu fácil, acontece quando se leva um tiro no meio da testa, mas com a patroa foi diferente. Onde é que ela estava mesmo? Vai saber, caiu em cima dele e foi logo metendo a faca. Incrível ainda estar vivo. Mas está, ô se está!, que morto não sente tanta dor. E não vai morrer também, que se fosse já teria empacotado. Ô mulherzinha filha de uma puta, meteu-lhe a faca sem pena nem dó. O marido lá, caído, o sangue desenhando uma flor na testa dele, e ela não estava nem aí, enfiando a faca, enfiando a faca, enfiando a faca. Deu um trabalho do cão tirar a cretina do cangote. Experimenta tirar um boi de cima de você pra ver se é fácil. Boi não, perdão, vaca! Alho. Antes da facada ainda deu pra sentir o cheiro de alho, muito alho. O almoço ia ser bem temperado. Um vampiro não passava perto da casa nem por decreto. Deixasse a gorda continuar a lhe enfiar a faca e virava rapidinho um defunto bem temperado. Meteu chumbo nela. E ia fazer o que mais, pedir receita de bolo? Descarregou as outras cinco azeitonas naquela montanha de carne e torceu pra ela empacotar e, olha que coisa incrível!, ela morreu mesmo. Ele não, ele ainda está vivo. É bom estar vivo. Ah, mas que a coisa não saiu como o previsto não saiu mesmo. Era pra chegar na casa, fazer o Dionísio e voltar pra receber a grana. É bom estar vivo, mas que deu merda deu. Fodido! Fodido! Fodido! Sair da casa não vai ser fácil, ficar de pé não vai ser fácil, andar não vai ser fácil. É preciso tentar. Ai! Ui! Aiaiai! Uiuiui! Dói muito, dói pra cacete. Se conseguir sair, e pra isso terá que passar por cima da vaca enorme estendida entre ele e a porta, vai precisar de ajuda, não vai dar pra dirigir nesse estado. Fodido! Fodido! Fodido! E o carro está longe pra caralho. Deixou longe da casa pro Dionísio não se ligar. Muito longe, longe demais. E o celular ficou lá dentro, esqueceu ou achou melhor não trazer com ele, vai saber. Putamerda, tem que sair da casa e no meio do caminho tem uma vaca morta enorme cheirando a alho. Vai ser difícil, vai ser muito difícil. Está de pé agora, mais ou menos, se agarrou em alguma coisa e aprumou. Agora é ver se dá conta de andar. Dói, dói, dói pra cacete. E ainda tem essa montanha de carne no meio do caminho. Uma baleia!! Se bobear o Jonas ainda está aí dentro. Minha senhora, tu armou pra cima de mim, ta sabendo? Me ferrou bonitinho. Decide escalar a montanha flácida, que o jeito é passar por cima. Nem pensar em arrastar prum canto ou algo assim. Não sem um guindaste! Aí se apóia na mesa e tenta, de um só passo, saltar a mulher do Dionísio. Um passo maior do que a perna esse, desaba sobre a falecida. É uma queda macia, menos mal, fedendo a suor e alho, mas bem macia, justiça lhe seja feita. Vai ter que ser de outro jeito, agarra com força as carnes gordas, frias e ensangüentadas e vai subindo, subindo... Depois impulsiona o corpo e vai deslizando bem devagarzinho pro lado de fora da casa. Tchau, gorda! Agora ficar de pé não lhe parece tão difícil quanto parecia quando estava lá dentro. Pronto! Um último olhar pro interior da casa e vê, caído debaixo da mesa, seu revólver. Merda! Merda! Merda! Pensa em digitais ou algo assim, se desespera pensando que terá que voltar e pegar o treizoitão, mas se lembra que está no Brasil e que na certa o policial que a encontrar irá, com a mais absoluta certeza, esconder pra vender depois. Relaxa. O negócio é dar o fora, vazar. O carro está longe. O sol dá o ar da sua graça, quente, matador. Ele se dá conta que até então não fazia tanto calor, o sol estava escondido atrás de umas nuvens. E como se fosse pouco ainda tem fumaça, muita fumaça de queimada no ar. A cabeça começa a doer, muita luz, muito calor, muita fumaça. E o carro lá longe, na puta que pariu. Será que dá pra chegar até ele? E aí ligar pra alguém, precisa de socorro, não tem como dirigir desse jeito. Não tem mesmo. Pior, não tem como ficar de pé debaixo desse sol. Não é só um modo de dizer, não tem mesmo. Ele cai, uma queda nada macia agora. E aí percebe que pode morrer sim, que está muito fraco, que perdeu sangue demais. Maldita baleia! Gorda filha de uma puta! De pé outra vez. No chão outra vez. Não vai dar pra chegar até o carro, não debaixo desse sol. Volta engatinhando pra casa, pra junto do Dionísio e da baleia, pra sombra. Agora tem sede, dessas insuportáveis e inadiáveis. Não tem outro jeito, torna a escalar a baleia, abrindo caminho por entre a nuvem de mosquitos que se formara em volta dela. Sede, muita sede. Está dentro da casa agora. Primeiro apanha a arma (algum policial acaba de perder uma graninha extra) e depois vai até a moringa. Um copo... Cadê um copo, caralho? Encontra o copo. Começa a despejar a água da moringa dentro do copo. Mas então, por conta de uma inesperada campainha de celular, se assusta e deixa a moringa cair. A água escorre pelo chão de terra batida e some num segundo. Merda! Merda! Merda! O celular continua tocando. Cadê? Cadê? No bolso da calça do Dionísio. Alô? Se arrepende no minuto seguinte. Pra que foi atender a ligação, cacete? Por sorte ela está uma merda e do outro lado nem percebem que não é o Dionísio. Tamo indo praí, a gente chegamos lá pelas sete, tá ligado?. E desligam, ou caiu, vai saber. Putamerda! Quem vai passar aqui? Na certa gente que seu empregador também gostaria de ver morta e enterrada. Um outro qualquer que andou lhe roubando alguma coisa. Não importa, agora é ligar e pedir pra alguém vir apanhá-lo. Mas quem? O Pereira! Isso, o Pereira lhe deve uns favores. Qual é mesmo o telefone do Pereira? Tem cabeça ruim pra números, o do Pereira está na memória do seu celular, que está no carro, que está longe... De cabeça vai ser difícil... 8113-2055... 8113-0255... O prefixo é esse mesmo?... 8003-2005... Não dá, não vai se lembrar de jeito nenhum. Peraí, posso ligar pro trabalho da Celi, ela vai me ajudar... O número da loja onde ela trabalha é bem fácil, é tudo zero Isso mesmo: 0000!... Fácil!! E é aquele prefixo antigo... Ela não vai gostar de eu ligar, mas vai me ajudar! Começa a digitar. Inútil. A ligação não se completa. O telefone do Dionísio só está recebendo. Merda! Merda! Merda! Nem pra pagar a conta do telefone, né cuzão? Não vai poder ficar ali por muito tempo, logo vai chegar gente, amigos do Dionísio, a coisa vai ficar feia pro lado dele. Pra piorar está mais fraco, a vista ficando turva. Tem sede. A água sumiu no chão de terra batida. Tem uma cisterna lá fora. Tem que passar por cima da gorda de novo. Putamerda, não podia ter uma outra porta nessa casa de merda? Começa a escalada, está bem mais difícil agora. Força! Força! Pronto, agora é deixar o corpo cair pro lado de fora. Essa luz, caralho!! Leva a mão aos olhos, tentando protegê-los. Está completamente cego, ou talvez esteja desmaiando, vai saber. Quase desmaiando! Mas ainda consegue ficar de pé. Onde é que fica a cisterna? Ali, bem ali. Vai até lá, e temendo desabar dentro do poço atira o balde lá embaixo. Tchibum! Com corda e tudo! Que imbecil! Que imbecil! Que imbecil! Agora não tem jeito, vai ter de encarar o caminho até o carro debaixo desse solão de outubro assim mesmo, com sede, com muita sede. Antes cambaleia até o varal e apanha um lençol. Sombrinha boa. Não há tempo a perder, precisa ir até o carro. Caminha devagar e dolorosamente até a estradinha e vira pra direta. Vai indo, vai indo, vai indo. Pára. Olha pra um lado, olha pro outro. Mas será que foi desse lado mesmo que deixei o carro? Puta que pariu!... Vai ver deve estar mais adiante, depois daquela curva. Deve ser, que a cidade está pra lá... Eu acho. Fica parado, olhando pra um lado e pro outro, aí, após se convencer de estar no rumo certo, vai indo, vai indo, vai indo... Parece um fantasma, com aquele lençol cobrindo seu corpo, um fantasma mal das pernas. E fantasma tem pernas? Vai indo, vai indo, vai indo. Mais adiante estaca. Cacete! Puta que pariu! Mas que besta, meu Deus! Deixou o carro do outro lado, à esquerda da casa. Fora da estrada, atrás de uma moita. Agora tem certeza absoluta. Só agora. Volta por onde veio. Vem vindo, vem vindo, vem vindo... Desaba. Continua caído, imóvel. O dia segue quente e enfumaçado. Nenhuma nuvem no céu. Está morto. Está? Não. Está se mexendo. Movimento lento, cheio de dor. Vai se levantando, devagar, muito devagar. O velho lençol cobrindo a cabeça. Começa a caminhar até o lugar onde deixou o carro. O carro está longe dali, deixou bem longe para pegar o Dionísio de surpresa. O cretino era esperto e desconfiado, qualquer barulho de carro por aqueles ermos e ele, que não era bobo nem nada, ia se ligar. E ia dar um trabalho do cão apagar o sujeito, isso se ele não escapasse. Fez tudo certinho, pegou o Dionísio despreocupado, de calça curta, como se diz, e meteu-lhe um tiro na testa. Quente, dia muito quente, mas muito quente mesmo. E no final de ano, depois de agosto, fica mais quente ainda. E quando venta é um mormaço abafado. Um calor de matar. E então ele pensa na possibilidade de morrer bem ali naquela estradinha no meio do nada. Já encarou muito pepino nessa vida, mas a baleia foi demais para ele. A baleia e o sol. Ela começou o serviço e o sol parece determinado a fechar a conta. Agora refez todo o caminho até o ponto inicial, de onde está pode ver a casa do Dionísio. E como não ver a baleia caída na porta, bloqueando a saída?! Filha de uma égua, cadela, vagabunda, fedida! Merda, se não tivesse errado o caminho já estava no carro, já tinha ligado pra loja onde a Celi trabalha e ela já teria ligado pro Pereira. A Celi, desde a separação, só liga pra ele atrás do dinheiro da pensão dos meninos. Todo mês lhe arranca oitocentos reais por cada um, oitocentos paus por cabeça. Um mil e seiscentos paus todo mês. Fora o dinheiro das emergências, dinheiro pra médico, pra dentista, pra livro caro no começo do ano... Outro dia a Celi queria botar a menina no balé. Pode um negócio desses? Dinheiro pro balé! Pro cacete com o balé!! Quase deu um soco num amigo que teve a cara-de-pau de defender a insensatez. O que é que o babaca lhe disse?... Ah, que ia ser bom, que a menina ia crescer com boa postura, que ia ajudar a menina a sociabilizar. Isso, disse isso ou algo assim. Quem precisa de inimigos com um amigo desses? O veado que bote seus filhos no mundo e pague as contas depois. Tá quente, quente pra cacete. Ê Solão, mas tu é foda mesmo!! Não vai dar, não vai dar mesmo. O carro está muito longe. Precisava ter deixado ele tão longe assim? Porra, o Dionísio não devia ter esse ouvido todo, não ia escutar nada mesmo que deixasse o carro mais perto um pouquinho. Cauteloso demais, um pouco mais e deixava o carro na cidade e vinha a pé. Que imbecil! Que imbecil! Que imbecil! Que isso, homem de Deus? Vai desistir agora? Nadar, nadar e morrer na praia? Força, rapaz! E ele vai indo, vai indo, vai indo, vai indo... E ainda consegue andar um bom pedaço de estrada antes de cair, pra valer e definitivamente. Ainda não está morto, mas está mais pra lá do que pra cá. Bem mais pra lá do que pra cá, é bom que se diga. E fica agonizando um bom tempo, tentando respirar, puxando o ar quente e cheio de fumaça das queimadas pra dentro dos pulmões. Num dia quente como esses respirar é um sacrifício. E isso se o cara está bem, se não levou umas facadas de alguma baleia, porque aí é simplesmente impossível. E ele lá, morrendo, cheio de furo e fedendo a alho. Quando vai apagando mesmo, até que a sensação não é má, é meio parecida com essa de quando a gente está acordado mas sabe que já vai dormir ou algo assim, escuta, bem pertinho, a campainha do seu celular. Não é que eu quase consegui? Puta merda!! Quase, quase, quase.... E toca, e toca, e toca. E ele ainda consegue achar graça, pensando que na certa é a Celi tentando lhe tirar mais algum dinheiro. Vai que ia recomeçar com a história do balé. Ou ia dizer que o menino precisa botar aparelho nos dentes. Alguma coisa ela ia inventar pra lhe tirar mais algum. Não lhe dou mais nem um realzinho, sua puta velha. Nem mais um, nem mais um...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20195465-5770680343214569791?l=wanderantunes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wanderantunes.blogspot.com/feeds/5770680343214569791/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20195465&amp;postID=5770680343214569791' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20195465/posts/default/5770680343214569791'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20195465/posts/default/5770680343214569791'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wanderantunes.blogspot.com/2010/10/baleia.html' title='Baleia'/><author><name>Wander Antunes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20195465.post-7220181847985169526</id><published>2010-10-03T07:27:00.000-07:00</published><updated>2010-11-27T16:51:25.715-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notícias'/><title type='text'>Duas indicações para Toute la poussière du chemin</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;﻿﻿﻿ &lt;br /&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PEE8bg9sytM/TKjAb9G7YgI/AAAAAAAAAE8/9dBmykJTRiE/s1600/Toute+indicado.jpg" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img alt="" border="0" height="209" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5523876529462534658" src="http://1.bp.blogspot.com/_PEE8bg9sytM/TKjAb9G7YgI/AAAAAAAAAE8/9dBmykJTRiE/s320/Toute+indicado.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Jaime e eu estamos insuportáveis, nosso gibi foi indicado em nada menos que dois festivais franceses. O primeiro deles, Ouest-France-Quai des Bulles. Os álbuns indicados foram: J'ai pas tué de Gaulle mais ça a bien failli, de Bruno Heitz (Bayou); Le Montespan, de Jean Teulé e Philippe Bertrand (&lt;a href="http://www.editions-delcourt.fr/" target="_blank"&gt;Delcourt&lt;/a&gt;); Lydie, de Lafebre e Zidrou (&lt;a href="http://www.dargaud.com/" target="_blank"&gt;Dargaud&lt;/a&gt;); Coucou tristesse, de Sergio Salma e Baron Brumaire (&lt;a href="http://www.drugstorebd.com/"&gt;Drugstore&lt;/a&gt;); Junk tome 2 - Pay Back, de Brüno e Pothier (Treize Étrange); Cinq mille kilomètres par seconde, de Manuele Fior (Atrabile); Une vie chinoise 2 - Le temps du parti, de P.Ôtié e Li Kunwu (&lt;a href="http://www.mangakana.com/" target="_blank"&gt;Kana&lt;/a&gt;); Page noire, de Giroud, Lapière e Ralph Meyer (&lt;a href="http://www.futuropolis.fr/" target="_blank"&gt;Futuropolis&lt;/a&gt;); e Gaza 1956, de Joe Sacco (Futuropolis). O vencedor, o resultado saiu dia 9 de outubro, foi Une vie chinoise 2 - Le temps du parti, de P.Ôtié e Li Kunwu. A outra indicação foi para o Prix Polar do Festival de Cognac, que surgiu como uma premiação do cinema policial em 1982 e, aos poucos, passou a incluir outras mídias. Atualmente inclui, além do cinema e da TV, a literatura e os quadrinhos. Toute la poussiè foi indicado na categoria de Melhor álbum - Edição especial. Os demais concorrentes são: Le Vampire, de Puchol e Rodolphe; Liberty, de Warnauts e Raives; Jour de Grâce, de N'Guessan e Jakupi; Tueuse, de Damien May e Annie Barrière; Braquages et bras cassés, de Van Linthout e Fischer; e Dernière station avant l'autoroute, de Mako, Daeninckx e Hugues Pagan. O Festival de Cognac acontece de 15 a 17 de outubro.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20195465-7220181847985169526?l=wanderantunes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wanderantunes.blogspot.com/feeds/7220181847985169526/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20195465&amp;postID=7220181847985169526' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20195465/posts/default/7220181847985169526'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20195465/posts/default/7220181847985169526'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wanderantunes.blogspot.com/2010/10/duas-indicacoes-para-toute-la-poussiere.html' title='Duas indicações para Toute la poussière du chemin'/><author><name>Wander Antunes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_PEE8bg9sytM/TKjAb9G7YgI/AAAAAAAAAE8/9dBmykJTRiE/s72-c/Toute+indicado.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20195465.post-5163163929144506801</id><published>2010-10-02T19:39:00.000-07:00</published><updated>2010-10-03T07:08:08.792-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Breve história das religiões</title><content type='html'>E então Deus criou o mundo. Tudo porque o Diabo sugeriu que Ele não seria capaz. Como não?! Deu conta de todo o trabalho em apenas seis dias. E no sétimo, vitorioso e esgotado, descansou. Foi aí que o Diabo veio com aquela história de religião.
— Para levar seus ensinamentos ao homem — argumentou, diante do desinteresse divino por sua proposição.
— Ensinamentos? Mas o que há para ensinar? — indagou o senhor, tão aborrecido quanto cansado. — Não venha inventar mais nada, que estou no bagaço. Olha, se você continuar me aborrecendo com esse assunto sou capaz de botar tudo abaixo, ouviu? Deus faz e Deus desfaz, não se esqueça.
Mas o Diabo não se deu por vencido.
— E vai deixar o homem vivendo daquele jeito, longe da sua presença?
— Mas quanta insistência. Quando você põe algo na cabeça fica insuportável. E por que não, posso saber?
Porque a vida é boa demais longe da tua presença, poderia ter dito o Diabo, que exatamente por esse motivo invejara e odiara o homem desde que o vira pela primeira vez, mas o que ele disse foi:
— Não acha importante ensiná-lo a louvar teu santo nome, ó Senhor? — disse assim mesmo, dando ênfase ao ó Senhor, que Deus tanto gostava de ouvir.
E Deus, que até aquele momento parecia desinteressado por aquele ser que criara à sua imagem e semelhança (mas isso só porque em seis dias não teve tempo para pensar em alguma outra coisa), concordou que merecia crédito por sua obra, achou que aquela idéia de religião não era assim tão ruim.
— Por mim tudo bem, mas vou logo avisando que não tenho energia para mais nada.
— O Senhor deixe isso comigo — o Diabo se voluntariou.
Então, com a anuência divina, o Diabo se pôs a criar o mecanismo pelo qual pretendia transformar a vida do homem, que àquela altura da criação era razoavelmente feliz, em um inferno parecido com a existência dele e a das outras criaturas celestiais.
— A vida será tão ruim na terra como no céu! Como é que Ele se esqueceu de atazanar a vida dessa gente toda, como faz com a dos anjos? Toda a eternidade cobrando adoração, exigindo reconhecimento. Só o cansaço da criação para explicar isso. Falando em criação... Mas não é que ele conseguiu mesmo? Pensei que não fosse levar minha provocação à sério, mas Ele criou mesmo um mundo em seis dias. Claro, não ficou nenhuma uma obra prima, tem lugares onde chove demais, em outros não chove nunca, terremotos e pragas aqui e ali...
Não havia se dado conta até agora, mas de fato Deus criara um mundo imperfeito, o que de certa forma colocava a criação em cheque ou ao menos tirava parte do seu brilho. Achou o tema interessante para um debate, mas desistiu em seguida:
— Ele odeia ser questionado, sabe Deus como reagiria. Numa dessas ainda cria o inferno, só para me mandar para lá.
Como não era bobo de cutucar onça com vara curta, o Diabo deixou de lado a idéia de provocar o Criador do céu e da terra e lançou-se de vez em seu projeto de arrancar o homem de sua feliz existência terrena. Para sua surpresa, a empreitada revelou-se das mais fáceis, o homem tinha sede de divindades. Já havia, por contra própria, criado centenas delas. Havia deuses da chuva, do sol, da noite e do dia, da fertilidade e disso e mais aquilo. Eram divindades interessantes, admitiu o Diabo — muito mais reconhecíveis e familiares que Ele jamais poderia vir a ser. E nem tão exigentes, nem tão invasivas. O homem no máximo sacrificava uma virgem para uma divindade qualquer e já seguia adiante, sem que isso ocupasse mais tempo do que deveria de sua vida. Era libertador demais, fácil demais ficar em paz com aqueles deuses demasiado humanos. Era inaceitável.
— Deus só tem um! — determinou. — O mais vaidoso e egoísta de todos.
E enquanto Deus descansava, há quem diga que Ele ainda não se recuperou totalmente do esforço criacionista, o Diabo trabalhava arduamente em seu projeto evangelizador. A coisa deu tão certo que hoje ele já nem precisa se mexer, o negócio anda sozinho. Todo santo dia, inclusive aos dias santos, nasce uma nova religião. Com o tempo ele, que gosta mesmo é de um desafio, perdeu o interesse pelo assunto — por achar que o homem já estava suficientemente bem servido de Deus, de culpas e de medos irracionais — e foi ai que deu um passo maior que a perna, cismou de provocar Deus com a história do fracasso da criação e acabou sendo expulso do Paraíso por conta de seu atrevimento.
Mais tarde Deus, que gostava bastante de Lúcifer, até que se arrependeu por ter defenestrado sua criação mais perfeita, mas não voltou atrás. E também nunca mais se recuperou depois daquela semana duríssima de trabalho. Volta e meia ameaça destruir tudo, mas como todo mundo que já se meteu com uma obra Ele também sabe que derrubar dá muito mais trabalho que construir.
— Foi um passo infeliz, fazer o quê? Deixa pra lá...
E enquanto o criador dos céus e da terra e de tudo o que nela habita dá de ombros, o homem anda metido até o pescoço na presença Dele e dos que falam em seu nome, sobretudo desses senhores. Quanto ao Diabo, esse se deu bem com o exílio, caiu para cima, como costumam dizer, agora além de levar uma boa vida longe da presença de Deus ainda tem um reino só para ele. Dizem que é um lugar animadíssimo, que a coisa ferve por lá. Isso é o que dizem. Sim, isso é o que dizem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20195465-5163163929144506801?l=wanderantunes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wanderantunes.blogspot.com/feeds/5163163929144506801/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20195465&amp;postID=5163163929144506801' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20195465/posts/default/5163163929144506801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20195465/posts/default/5163163929144506801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wanderantunes.blogspot.com/2010/10/breve-historia-das-religioes.html' title='Breve história das religiões'/><author><name>Wander Antunes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20195465.post-5323294330413028048</id><published>2010-05-31T05:48:00.000-07:00</published><updated>2010-05-31T05:55:33.324-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Lembra quando o Fantasma andava pelas ruas vestido como um homem comum?</title><content type='html'>Eu me lembro! E estava sempre com ele. Bons tempos aqueles, Fantasma, Capeto e eu circulando noite adentro pelos bares mais sinistros das histórias em quadrinhos. Ele pegando pesado, socando e marcando pra sempre o rosto dos sujeitos mais malvados com seu Anel da Caveira enquanto eu, num cantinho seguro, acompanhava a ação tomando minha Fanta Laranja. Eu estava sempre lá, você nunca me viu porque eu sempre ficava escondido, meio fora dos quadrinhos. E não era por temer que uma hora qualquer o Fantasma levasse a pior e algum bandido, me vendo ali no cantinho, dissesse: "Aquele guri está com ele! Pega!!" De jeito nenhum, jamais temi nem unzinho sequer dos milhares de traficantes de escravos que o Fantasma enfrentou, nem mesmo quando ele lutava sozinho contra centenas. O mesmo vale pros piratas Singh ou qualquer outro vilão que o Lee Falk colocasse em cena. Nunca, nunquinha! Me escondia dos perigos que estavam fora da revistinha - como chamar de outra maneira aquele gibi pequenininho que era publicado na minha infância? Era ali, fora do gibi, que morava o perigo. Na minha infância o gibi era o inimigo público número 1, a raiz de todo o mal. Se eu era pego fumando a culpa era do gibi, se matava aula pra ir tomar banho no Queixadinha a culpa era do gibi. Como eu aprontava muito, os gibis foram culpados por muita coisa. Éramos, ambos, gibis e eu, severamente punidos. E como o Fantasma era um dos meus heróis preferidos, ele sofria o diabo ao meu lado. Teve uma vez que o Fantasma pagou o pato pra valer. Coitado!! Foi assim...Era final de um ano qualquer e um cachorro louco subiu pela minha rua mordendo todo mundo que via pela frente. Evidente que fui mordido pela fera e então tive que tomar uma série de injeções anti-rábicas. Uma por dia, durante semanas. Um dia não apareci pra tomar a tal vacina, tinha ido, escondido com um amigo, tomar banho no Queixadinha. Depois do banho, lembrei que minha escola tinha recebido os livros que seriam adotados no ano seguinte e lá fomos nós, ver se dava pra entrar na biblioteca pra ler os livros. Escola deserta, biblioteca trancada. Os livros lá dentro, cheios de desenhos coloridos, esperando. Um desses convites irresistíveis. No pátio tinha uma tora enorme - ou meu amigo e eu éramos muito pequenos, vai saber – e então tivemos a brilhante idéia de usá-la como aríete. Pegamos a tora e nos atiramos contra a parede. TUM! TUM!! Fizemos um bom trabalho, a parede cedeu e nós entramos. E ficamos lá, folheando o material didático, em busca de algum desenho que valesse a pena. A luz entrando pelo buraco aberto na parede. De repente a escuridão. Do lado de fora, rostos enfurecidos nos fitavam e impediam que a luz entrasse na pequena biblioteca. "Aquele ali é o filho da dona Maria", disse alguém. Pronto, eu tinha aprontado outra vez, tinha sido pego e ia ser punido. O Fantasma também, é claro.
Vai ser duro pra você ouvir isso, mas devo ser culpado por várias "mortes" do Espírito que Anda. Contra a minha vontade, que isso seja dito em minha defesa, fiz o que nem o mais temível vilão fora capaz. Eu já queimei o Fantasma, já o rasguei página por página, mas aquela última vez foi demais. Foi terrível, foi nojento!!
Bem, aquele dia eu havia aprontado muito mais do que o habitual, tinha "assaltado a escola" e isso era bem mais grave que uma típica traquinagem wanderiana. A vergonha caíra sobre a família. Eu só tinha nove anos e já era um criminoso. Alguma coisa precisava ser feita. Naquele tempo se apanhava muito, não tinha esse negócio de não poder bater em criança. Então, após tomar a injeção anti-rábica do dia (acho que a enfermeira morava perto de casa) apanhei um bocado. E não acabou por aí, a lição só estaria completa quando o Fantasma também fosse punido. E tinha que ser algo especial, à altura da falta cometida. Foi então que alguém imaginou um uso novo para a latrina lá de casa.Latrina?! Talvez você tenha sorte e não saiba o que é isso, mas vou arrancá-lo de sua feliz ignorância e transportá-lo pro centro de um enredo naturalista: trata-se basicamente de uma fossa coberta com madeiras, no centro das quais é aberto um buraco. Pra completar, em torno dessa fossa é erguida uma pequena construção, geralmente de madeira. Quando a natureza chama você vai lá, faz o que tem que fazer, sempre se equilibrando e rezando praquela coisa não desabar.
Então alguém, depois de muito pensar, enquanto eu tentava me recompor da surra, olha pra fossa, sorri misteriosamente, e diz pra eu apanhar meus gibis. Todos eles. E eu tinha um bocado naquele momento: Flash Gordons, Mandrakes, Tarzans e, naturalmente, Fantasmas. Muitos gibis do Fantasma, dezenas deles. Eles eram meus heróis, àquela altura da minha vida já os vira salvar o mundo uma montanha de vezes. Eles sempre arriscando suas vidas pra me salvar e eu iria traí-los mais uma vez. “É pra rasgar? Eu rasgo. É pra queimar? Eu queimo.” Nem era preciso me torturar, bastava dar a ordem. Depois ia refazendo as coleções. Mas aquele dia seria diferente, não era pra queimar nem pra rasgar.
- Joga no buraco (na latrina, naturalmente)!
Aquilo foi demais. Queimar tudo bem, rasgar tudo bem, mas atirar na merda era uma violência sem tamanho. Menininho ainda e eu já aprendia que há vários níveis possíveis de violência e que aquela, a violência moral, simbólica, era sem dúvida a maior delas, a que abre a grande ferida que não fecha nunca.
- Joga no buraco!!
Eu adoro os heróis, mas não sou um deles. Não há dúvidas quanto a isso. Eu me rendo, eu colaboro, eu assino qualquer coisa. E lá fui eu em direção à fétida latrina. Um a um atirei todos os meus amigos na merda. Flash Gordon, Tarzan, Mandrake... O Fantasma se agüentou o quanto pode, mas também caiu. Caiu com honra, sem pedir piedade (e, seguramente, tapando o nariz).
Eu traio, mas me envergonho depois. Sei que isso não me redime, mas me envergonho profundamente pela traição. E passei a evitar o reencontro com meus antigos amigos. Sabia onde encontrá-los, mas alguma coisa havia mudado e segui em outra direção. Às vezes notícias chegavam até a mim: “O Fantasma casou, tá sabendo?” Mas eu já estava fora do círculo, não havia clima pra reaproximação. Quando se é muito jovem – e eu era jovem naquele tempo – a gente só quer seguir adiante, sem olhar pra trás. E de fato, a esmagadora maioria desses velhos companheiros ficou no passado, menos o Fantasma... É que ele às vezes torna a caminhar pela cidade, disfarçado como um sujeito comum, não é mesmo? Então tenho esbarrado com ele por aí, em sebos, em livrarias, na Internet. Nas primeiras vezes realmente fugi dele – sabe-se lá se ele não ia me dar um soco e marcar meu queixo com o sinal da caveira? Eu bem que merecia!! Que nada, o Fantasma tem sido condescendente comigo. Às vezes nos encontramos, e ele, com a cara bem séria, fechada mesmo, leva sua mão ao nariz, como que pra me lembrar do que fiz naquele dia fatídico, mas é brincadeira, dá pra notar que ele está segurando o riso. O Espírito Que Anda é um gozador. Pode um negócio desses?
Agora está tudo bem, faz tempo que reatamos a velha amizade. E novamente saímos por aí, ele, Capeto e eu (quando a Heliara, minha mulher, me deixa sair, é claro). Digo pra ela que só vou bater um papo com amigos sobre os velhos tempos e ela me libera. Bater papo coisa nenhuma!! O programa é bem barra pesada. Meus amigos e eu rumamos pros antros mais sórdidos que encontramos. O Fantasma chega, vai logo identificando um traficante de mulheres ou um pirata Singh e parte pra cima. Capeto também ataca, sem dó nem piedade. E eu, que nessas horas sou um garoto outra vez, peço minha Fanta Laranja, vou pro meu cantinho e fico só olhando. Sem medo de ser feliz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20195465-5323294330413028048?l=wanderantunes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wanderantunes.blogspot.com/feeds/5323294330413028048/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20195465&amp;postID=5323294330413028048' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20195465/posts/default/5323294330413028048'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20195465/posts/default/5323294330413028048'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wanderantunes.blogspot.com/2010/05/lembra-quando-o-fantasma-andava-pelas.html' title='Lembra quando o Fantasma andava pelas ruas vestido como um homem comum?'/><author><name>Wander Antunes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20195465.post-4721317748470342815</id><published>2009-10-29T05:17:00.000-07:00</published><updated>2010-11-27T16:50:22.300-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notícias'/><title type='text'>Toda poeira do caminho</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PEE8bg9sytM/SunSb50CvEI/AAAAAAAAAA8/xecTkmEdt1w/s1600-h/couverture-poussiere_AL.png" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5398077005197655106" src="http://1.bp.blogspot.com/_PEE8bg9sytM/SunSb50CvEI/AAAAAAAAAA8/xecTkmEdt1w/s320/couverture-poussiere_AL.png" style="height: 320px; width: 242px;" /&gt;&lt;/a&gt; Toda poeira do caminho (Toute La poussière du Chemin) é o título definitivo do livro que Jaime Martin e eu fizemos para a editora Dupuis. O lançamento é em abril de 2010, na prestigiosa coleção Aire Libre. A trama, ambientada nos Estados Unidos da Grande Depressão, apresenta Tom, um homem de meia idade, e um garoto, Buck, que se encontram, um fugindo de algo e o outro em busca de algo, para se separarem logo em seguida. Mais adiante, Tom conhece o pai de Buck, um homem muito doente, incapaz de seguir procurando pelo filho, que havia fugido de casa, e promete trazer o garoto de volta. E é em meio às estradas tristes e empoeiradas de um país empobrecido e brutalizado pela crise econômica que Tom irá buscar o pequeno Buck, uma criança apaixonada pelas narrativas de Jack London, que pretende embarcar em um navio e viajar para os mares do sul descritos nos livros do autor de O lobo do mar. O álbum contará, além da edição normal, com uma edição de luxo, de apenas 777 exemplares numerados, contendo uma ilustração inédita assinada pelo Jaime, grande desenhista que o leitor brasileiro conhece desde os tempos da saudosa Animal e mais recentemente por conta de seu Vida Louca, publicado pela Conrad.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20195465-4721317748470342815?l=wanderantunes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wanderantunes.blogspot.com/feeds/4721317748470342815/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20195465&amp;postID=4721317748470342815' title='12 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20195465/posts/default/4721317748470342815'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20195465/posts/default/4721317748470342815'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wanderantunes.blogspot.com/2009/10/toda-poeira-do-caminho-toute-la.html' title='Toda poeira do caminho'/><author><name>Wander Antunes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_PEE8bg9sytM/SunSb50CvEI/AAAAAAAAAA8/xecTkmEdt1w/s72-c/couverture-poussiere_AL.png' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20195465.post-3283792873142112848</id><published>2009-10-28T16:51:00.000-07:00</published><updated>2009-10-28T16:52:05.262-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>A vontade de Deus</title><content type='html'>Não morreu não. Quem viu a ambulância levar o pastor pro hospital é que saiu espalhando que ele estava morto, mas o bíblia não tinha morrido não. Nem ele morreu e nem o Messias teve intenção de matar. Quis cegar. Quis cegar e cegou! Foi lá e cegou o pastor, arrancou-lhe os dois olhos. E foi ele mesmo quem avisou ao povo do hospital que tinha feito o que fez. Cegou o homem e foi direto pro hospital, pertinho da casa do pastor, pedir o socorro. E de lá foi pra delegacia, se entregar.
Quase foi linchado, que abreviar a justiça e economizar dinheiro do povo gasto dando casa e comida pra bandido é costume antigo por esses lados, mas o delegado deu uns tiros pra cima e o povo deu uma trégua. Não ia durar muito, que essa gente gosta de sangue, acostumou com o sangue, entende? Mas a coisa deu uma sossegada mesmo foi porque o delegado falou lá na venda do Firmino, essa que fica em frente da delegacia, que o preso alegava ter feito o que fez a mando de Deus, que aquela era a vontade de Deus. Aquilo de ter feito a vontade de Deus, e então cegar pastor agora é vontade Dele?, foi que fez a curiosidade do vivente daqui ser ainda maior que a vontade de arrancar o sujeito da cadeia e dar cabo dele. A história correu a cidade mais depressa que notícia ruim, que no fim das contas era disso mesmo que se tratava, e a vontade de linchar meio que arrefeceu, em seu lugar a gente toda ficou se perguntando que negócio mais sem pé nem cabeça era aquele de cegar em nome de Deus, cegar a mando de Deus. E aí todo mundo ficou esperando os detalhes, que eles iam ter que aparecer, que cegar e daí dizer que foi vontade de Deus não bastava, não dava conta da curiosidade desse povaréu. E os detalhes vieram, já no dia seguinte, de novo pela boca do delegado e de novo quem soube da novidade em primeira mão foram os freqüentadores da venda do Firmino – de lá foi que a notícia ganhou a cidade.
Messias estava tomando banho. Tcheco, tcheco, tcheco e sente a presença e vira pro lado e Ele está lá. E se Messias não se assustou e nem nada é porque Deus sabe o que faz e também sabe como é que se faz, de modo que nem teve surpresa e nem assombro e nem nada disso e daquilo e o entendimento foi imediato: era Jesus quem estava ali ao lado dele, no banheiro dele. Soube assim que viu. Era cachaceiro, vadio, mulherengo e ateu de pai e mãe e mesmo assim soube tudo e entendeu tudo, porque era a vontade de Deus que o entendimento fosse imediato, que não se perdesse tempo explicando isso e mais aquilo. E a vontade de Deus, a qual ele se submeteu, não dava pra ser de outro modo, que não estamos falando de qualquer um, estamos falando do Homem La de Cima!, era que fosse até a casa do pastor e lhe arrancasse os dois olhos. E se é verdade que seus desígnios são misteriosos, são insondáveis, também é verdade que nesse caso Ele foi claro: “Porque ele tem usado meu nome em vão, porque ele tem mercantilizado a fé das minhas ovelhas e porque é falsa sua fé é que você deve lhe arrancar os dois olhos”. E se é verdade que a bebida já lhe consumiu o pensamento e estropeou-lhe o corpo, também é verdade que Messias saiu do banho, vestiu-se e, são como deve ter sido em outros tempos, antes de se entupir de todo álcool e toda a carne, seguiu para a casa do pastor, nos fundos da igreja e não muito longe de sua casa. E o que é que fica longe do quê numa cidade pequena que nem essa, não é verdade? E se teve alguma conversa antes do Messias ter feito o que fez e é do conhecimento de todos, se teve algum bom dia, se teve um vamos tomar um cafezinho, se o pastor pediu pelo amor de Deus não faz isso comigo ou se tentou escapar, isso ninguém sabe. O que se sabe e o que é fato é que quando o Messias saiu de lá o pastor estava sem os dois olhos. Cego. Porque não tem como o vivente não ficar cego se lhe arrancam os dois olhos da cara. E tem? Cego. Sim senhor, completamente cego! E meio atrapalhado da fala, porque quando se viu sem os olhos - se viu é modo de dizer que já não via era nada! -, na mais completa escuridão, o pastor deve ter se desesperado, tateado de um lado pro outro tentando buscar socorro e nisso caiu e arrebentou a boca, que deve ter batido numa quina de mesa ou vai saber onde. Daí foi que o bíblia ficou cego e falando do jeito que dava e ninguém entendia. Com o tempo melhorou alguma coisa, com muito pôr a atenção o vivente meio que entendia e meio que adivinhava o resto do que o homem queria dizer. Foi quando ele disse o que disse, mas isso fica mais pra adiante, que por agora o sucedido é que o Messias, lá na cadeia, nem tinha dinheiro pra contratar advogado e nem aceitou quando o Salustiano, Dr. Salustiano melhor dizendo, defensor público, se apresentou e disse que ia lhe defender, porque ele tinha direito e porque tinha que ser desse jeito. Messias recusou a defesa e disse que o advogado dele não era deste mundo. E não teve quem não entendesse o que ele quis dizer com isso. E aí meio foi que começou um a perguntar pro outro se o dito cujo não tinha mesmo feito a vontade de Deus, que um outro lembrou que Deus escreve certo por linhas tortas, outro comentou que pastor que vende o voto da congregação pra um ladrão como o nosso atual prefeito não pode ser mesmo homem de Deus e isso e mais aquilo e logo o povo já estava quase achando que o preso era mesmo um santo ou algo parecido. E um santo, um homem que é instrumento da vontade divina, tem que ficar preso por causa disso? Pode isso? Foi pensar que mantinham um santo preso que fez o povo daqui perder o sono. E se a ira Dele se voltasse contra esse povo, como é que ia ser? E então o Dr. Salustiano defendeu o Messias, que não era uma questão de o preso querer ou não querer, era a lei, como se estivesse lutando para livrar o pai da forca, e o juiz, que também é homem temente a Deus, já foi buscando uma brecha na lei que lhe permitisse soltar logo o preso – mas sem manchar sua reputação de homem das leis. Foi então que o pastor disse o que disse – do jeito que deu, mas disse.
Negociava o voto dos fiéis sim, com quem pagasse mais. Enganava e seduzia as irmãs sim, as bonitinhas. Roubava o dinheiro do dízimo sim. Acreditava em Deus? Acreditava não. Mas agora sim, agora acreditava. E que Deus falou com ele e que Deus o perdoou e revelou que tinha grandes planos para a vida dele, que por meio dele iria operar grandes milagres. E que ia voltar a enxergar, que Ele ia restaurar sua visão. Foi isso o que o pastor disse e ninguém duvidou quando ouviu o que ele disse. Mas não soube dizer quando o milagre ia acontecer, que isso Deus não tinha lhe dito. Quem sabia quando ia acontecer era o santo, que anunciou a hora e o dia do milagre e se ia fazer sol ou se ia chover no dia marcado. Falou no dia em que saiu da cadeia. Mas se foi solto? Então não estou lhe dizendo?! Foi solto, mas é claro que foi! Vontade de Deus é que nem ordem judicial, é para ser cumprida. Foi só o tempo de não colocar o juiz mal com o bom direito que ele foi solto. E o Messias foi embora nesse mesmo dia e ninguém perguntou pra onde ele ia e nem se queria ficar que não é bom ficar bisbilhotando o que santo faz ou deixa de fazer. E o dia do milagre foi chegando e foi ficando mais perto e a notícia foi espalhando e correu o mundo inteirinho aquilo que ia acontecer aqui. E veio gente até da capital para ver o milagre. E o dia chegou, que dia e hora não tem jeito e uma hora chega mesmo, o que não estava igual foi a cara do dia, que o santo disse que ia ser de sol e amanheceu nublado e ameaçando chover, como de fato choveu mais para o fim do dia. E aí levaram o pastor para o meio da praça e então ele se ajoelhou e orou e falou em línguas estranhas e todo o povo orou junto com ele e isso durou foi o dia todo, até a hora que começou a chover e o povo se dispersou e correu para suas casas. Mas o pastor continuou lá, debaixo da chuva - choveu muito nesse dia, choveu daquela hora até lá para mais de metade do outro dia -, orando e falando em línguas estranhas, orando e falando em línguas estranhas, orando e falando em línguas estranhas, orando e falando em línguas estranhas. E ainda assim estava cego, continuava cego. E cego viveu até o dia e até a hora da sua morte. Amém.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20195465-3283792873142112848?l=wanderantunes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wanderantunes.blogspot.com/feeds/3283792873142112848/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20195465&amp;postID=3283792873142112848' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20195465/posts/default/3283792873142112848'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20195465/posts/default/3283792873142112848'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wanderantunes.blogspot.com/2009/10/vontade-de-deus.html' title='A vontade de Deus'/><author><name>Wander Antunes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20195465.post-3601113373867256619</id><published>2009-10-28T16:45:00.001-07:00</published><updated>2009-10-28T16:50:43.308-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Cabaço</title><content type='html'>Uma pausa, em meio a tanto trabalho, pra picar fumo e enrolar um cigarro. A fazenda desabando, igual tudo mais. Quanto tempo mesmo sem chuva, meu Deus? Agora não adianta mais semear a terra. Agora restam as dívidas. Muitas. Impagáveis. A filha chama para o almoço, diz que vai assim que terminar o cigarro. Bonita a menina, pensa olhando pra filha que volta depressa para a cozinha da velha casa da fazenda. Ainda outro dia era uma criança e agora já é quase uma mulher. Então o pensamento, vindo sabe-se lá de onde:
- Esse cabaço não chega a dezembro.
Termina o cigarro, vai almoçar.

...


Rapaz esforçado esse que tem ajudado a manter alguma coisa de pé. Foi chegando, fazendo uma coisinha aqui e outra ali, a troco de comida, e agora é seu braço direito. Então o pensamento, vindo sabe-se lá de onde:
- Tudo isso a troco de comida? Só comida?
O ‘rapaz esforçado’ passa muito tempo com sua filha, não havia se dado conta, passa sim. Sua filha que já não é mais uma criança, que já é quase uma mulher.
- Ao menos tivesse mãe vigiando.
Tinha não, morreu faz tempo já. A filha sem mãe e ele sem mulher. Tão fogosa a falecida. Será que a menina saíra à mãe? Então o pensamento, vindo sabe-se lá de onde:
- Esse cabaço não chega a dezembro, se é que já não...

...


Nos dias seguintes tentou impedir que o rapaz ficasse rondando a casa enquanto estivesse fora. Mandou consertar uma cerca aqui, fazer uma roça acolá. Mas quando ia até em casa tomar um café ou apanhar alguma semente topava com os dois, sempre juntos, sempre com um sorriso no rosto. E a cerca? Consertada. E a roça? Plantada. Não estivesse aflito com o vencimento das contas - a chuva não veio, mas esse não se atrasa -, teria uma conversa séria com aqueles dois. E o sorriso no rosto da filha que já é quase uma mulher. Então o pensamento, vindo sabe-se lá de onde:
- Isso lá é riso de quem guarda cabaço?


...


Não ia à cidade quase nunca. Toda aquela gente sempre tão apressada, as buzinas dos carros, tudo aquilo o irritava. A cidade também não gostava dele, crescia, tudo mudava de endereço: as pessoas e os negócios. Tivesse que ir, ia num pé e voltava noutro. Agora então, a filha bonitinha já, os peitinhos crescidos, a anca alargando, virando mulher, tinha que dar jeito nas obrigações e voltar mais depressa ainda – que sabe-se lá o que aqueles dois iam fazer, sozinhos naquela fazenda. Então o pensamento, vindo sabe-se lá de onde:
- Comeu. Eu comia. Não fosse minha filha eu comia. Bonitinha daquele jeito, aqueles peitinhos.

...


Não ia à cidade quase nunca. E quando, ia num pé e voltava noutro. Dessa vez teve que pernoitar, choveu. A chuva que não vinha nunca finalmente veio, tarde já, que a safra estava era perdida. E ele, preocupado, dormiu pensando na filha sozinha com o gavião lá na fazenda, aqueles peitinhos lindos, aquela boquinha, aquela bundinha. Então o pensamento, vindo sabe-se lá de onde:
- Eu comia, eu comia, eu comia, eu comia, eu...


...


Bem cedo ainda, que tinha deixado a cidade era madrugadinha, encontrou o gavião dando jeito numa cerca. E nem desceu do cavalo e já falou o que tinha para falar de um jeito que o gavião não teve dúvida, ficou claro que se não pegasse suas tralhas e fosse pra bem longe entrava na faca. E montado mesmo acompanhou o gavião, que correu até a taperinha onde ficava, apanhou seu quase nada e dali pra sumir pra não voltar foi nem um minuto.
E então ele foi para casa, o suor lhe escorrendo pela testa, o coração batendo mais forte tumtumtumtum, a boca tão seca, pensando na filha que num outro dia era uma criança e agora já era uma mulher.
Então o pensamento, vindo sabe-se lá de onde:
- Será que a menina saiu à mãe?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20195465-3601113373867256619?l=wanderantunes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wanderantunes.blogspot.com/feeds/3601113373867256619/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20195465&amp;postID=3601113373867256619' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20195465/posts/default/3601113373867256619'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20195465/posts/default/3601113373867256619'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wanderantunes.blogspot.com/2009/10/cabaco.html' title='Cabaço'/><author><name>Wander Antunes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20195465.post-1240998222687227563</id><published>2009-10-28T12:44:00.000-07:00</published><updated>2010-11-27T16:56:52.275-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notícias'/><title type='text'>Falta pouco agora</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PEE8bg9sytM/Suiil9glgsI/AAAAAAAAAAU/IE4NxIu7tG4/s1600-h/36.jpg" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img alt="" border="0" height="200" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5397742926453637826" src="http://3.bp.blogspot.com/_PEE8bg9sytM/Suiil9glgsI/AAAAAAAAAAU/IE4NxIu7tG4/s200/36.jpg" width="149" /&gt;&lt;/a&gt; Meu novo projeto europeu, gibizão com 78 páginas, desenhado pelo espanhol Jaime Martin, está quase pronto - ele, que desenha pra caramba, está finalizando as últimas páginas. Se tudo correr como o planejado o livro estará nas livrarias no primeiro semestre de 2010. É meu primeiro livro por uma nova editora, uma das grandes do mercado franco-belga. Mais um pouco e detalho melhor a coisa toda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20195465-1240998222687227563?l=wanderantunes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://wanderantunes.blogspot.com/feeds/1240998222687227563/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20195465&amp;postID=1240998222687227563' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20195465/posts/default/1240998222687227563'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20195465/posts/default/1240998222687227563'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://wanderantunes.blogspot.com/2009/10/quase.html' title='Falta pouco agora'/><author><name>Wander Antunes</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_PEE8bg9sytM/Suiil9glgsI/AAAAAAAAAAU/IE4NxIu7tG4/s72-c/36.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
